Câmara vota hoje os destaques finais do projeto "Ficha Limpa"
Terra/PCS
A
Câmara dos Deputados vota nesta terça-feira (11) os nove pontos restantes do
projeto de lei que impede registrar candidaturas de políticos com "ficha limpa", ou seja, daqueles com condenações por órgãos colegiados.
Entre
os pontos a serem votados estão três destaques do deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ). O primeiro retira do texto a proibição de aplicar a inelegibilidade
a pessoas que respondam à ação penal privada. Com isso, sai do projeto a ideia
inicial de permitir que apenas o Ministério Público entre com ações contra
candidatos, para evitar perseguições de adversários políticos que poderiam usar
a Justiça a fim prejudicar o rival.
O
segundo destaque apresentado por Cunha retira do texto a possibilidade de
candidatos que tenham praticado corrupção eleitoral, prometido bens ao eleitor
em troca de votos, recebido ou feito doação ilícita ou gastos ilícitos com
recursos de campanha terem o registro ou o diploma cassado. E o terceiro
destaque permite que o candidato – depois de diplomado – mantenha o mandato, se
a decisão colegiada for concedida ou a medida cautelar suspendendo os efeitos
da inelegibilidade for derrubada.
Um
quarto destaque – do líder do PR, Sandro Mabel (GO) – retira do projeto artigo
que pretende evitar abuso econômico e torna inelegível o candidato que comprar
votos, mesmo que tenha sido apenas de um eleitor e o fato não tenha alterado o
resultado da eleição. Na prática, mantém o ponto da lei atual, em que cabe ao
juiz determinar a perda de mandato por compra de votos.
Outros
dois destaques, apresentados pelo PP, retiram da proposta inicial os crimes
contra o meio ambiente e a saúde pública e também o abuso de autoridade da
lista de inelegibilidade.
A
oposição também apresentou mudanças à proposta. O destaque apresentado pelo
deputado Lobbe Neto (PSDB) retira a possibilidade de medida cautelar para
garantir a elegibilidade. O texto-base do projeto permite ao candidato recorrer
ao Superior Tribunal de Justiça pedindo o efeito suspensivo da inelegibilidade
para poder concorrer às eleições. Mas, se o STJ conceder a cautelar, o processo
ganha caráter de urgência e passa a tramitar mais rápido.
O
líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC), propôs uma emenda para uniformizar em um
ano o prazo para a desincompatibilização de todos os candidatos que queiram concorrer
à reeleição ou a outros cargos eletivos. Atualmente, a lei estabelece três
datas diferentes para a desincompatibilização: ministros, governadores e
secretários devem sair seis meses antes da eleição. Dirigentes sindicais devem
sair quatro meses antes e servidores públicos, três meses antes das eleições.
A
última alteração é uma emenda do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que
torna inelegível os cônjuges ou parentes até o segundo grau ou por adoção, a
não ser que o titular do mandato tenha se afastado definitivamente de seu cargo
e função até seis meses antes do pleito. Entre os que se tornam inelegíveis
estão parentes de ministros, do advogado-geral da União, de governadores e de
prefeitos.