O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Holanda, Ad Meijer, afirmou que o menino holandês que foi o único sobrevivente da queda de um avião em Trípoli, na Líbia, está passando por uma cirurgia para tratar dos ferimentos.
Meijer afirmou que os ferimentos incluem fratura de vários ossos. Ele disse que a identidade do menino ainda está sendo verificada e que o ministério já contatou o médico do menino. Um funcionário da Embaixada da Holanda em Trípoli deve conversar com a criança mais tarde nesta quarta-feira.
Mais cedo, o ministro de Transporte da Líbia, Mohamed Zidan, disse que a criança sobrevivente tem dez anos e um passaporte holandês. Segundo Zidan, ela está no hospital e não corre risco de morte. Alguns jornais afirmam que a criança tem oito anos.
O primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, confirmou que o único sobrevivente da queda do avião foi o jovem holandês.
O Comitê de Turismo da Holanda afirmou, em sua página na internet, que 61 das vítimas do avião da Afriqiyah Airways, que levava 93 passageiros e 11 tripulantes, eram holandeses.
O governo holandês organizou uma equipe de gerenciamento de crise para lidar com o acidente e ajudar os familiares das vítimas.
"Este é um grande número de holandeses, então é uma mensagem triste que temos neste dia", disse Balkenende, acrescentando que ficou "chocado" com a notícia.
Em entrevista a jornalistas, autoridades líbias informaram que 82 dos passageiros fariam conexão em Trípoli para outros destinos Londres (Reino Unido), Paris (França), Bruxelas (Bélgica) e Dusseldorf (Alemanha).
O Ministério de Relações Exteriores da Bélgica afirmou que nenhum cidadão do país estava a bordo, apesar de 32 dos passageiros terem como destino final Bruxelas.
O ministro Zidan afirmou que, até o momento, 96 corpos foram retirados dos escombros da aeronave. Imagens da TV local mostram equipes de resgate e policiais procurando pelos demais passageiros sob o metal retorcido, além de muitos destroços.
Acidente
O Airbus 330/200 da companhia caiu aproximadamente às 6h10 desta quarta-feira (1h10 em Brasília), quando se preparava para aterrissar no Aeroporto Internacional de Trípoli, na Líbia. O avião havia decolado de Johannesburgo, na África do Sul.
A principal pista do aeroporto tem 3.600 metros. Segundo guias de aeroportos internacionais, ela não está equipada com o Sistema de Aterrissagem Instrumental, que guia os aviões em decolagem pela pista, sob qualquer condição meteorológica.
O aeroporto conta, contudo, com dois outros sistemas que muitos aeroportos usam em todo o mundo, um rádio ominidirecional de alta frequência que os pilotos usam para navegar as aeronaves e um farol não direcional que também ajuda a guiar os aviões pelo aeroporto.
As condições do tempo perto de Trípoli estavam boas nesta quarta-feira, com visibilidade de 4,8 quilômetros e poucas nuvens em uma altitude de 10 mil pés. Os ventos eram de apenas três milhas por hora.
Segurança
Daniel Hoeltgen, porta-voz da Agência Europeia de Segurança em Aviação disse que a Afriqiyah passou por dez recentes inspeções de segurança nos aeroportos europeus, sem grandes problemas encontrados. Ele disse ainda que uma equipe de investigadores franceses já foi deslocado para Trípoli, para investigação.
"Nós estamos atualmente falando com a Airbus e com a agência de investigação de acidentes aéreos BEA, que estará envolvida no processo", disse Hoeltgen. "Nós daremos nosso apoio se for pedido pelas autoridades no comando".
A Afriqiyah Airways não estava na lista de companhias aéreas vetadas pela União Europeia. Esta lista tem cerca de 300 empresas proibidas de voar sobre o continente por não manter padrões internacionais de segurança.
A companhia opera apenas aviões da Airbus. Ela foi fundada em abril de 2001 e é de posse do governo líbio.
A Airbus afirmou que vai ajudar as autoridades a investigar as causas do acidente. A polícia ainda não tem pistas do que poderia ter causado a queda do voo 8u 771.
"Airbus providenciará total assistência técnica às autoridades responsáveis pela investigação do acidente", disse.
Zidan, contudo, já descartou a hipótese de um atentado terrorista. "Nós descartamos de forma definitiva a hipótese de que o acidente seja o resultado de um ato terrorista", declarou, em uma entrevista coletiva no aeroporto.