Quarta-feira, 12 de Maio de 2010         12h10        190
Saliva de morcego do Pantanal será usada para tratar vítimas de derrame
Midiamax/PCS
Canada Newswire
 Saliva de morcego do Pantanal será usada para tratar vítimas de derrame
Saliva do morcego hematófago do Pantanal pode fazer a vítima sangrar até morrer
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Um medicamento feito a partir da saliva dos morcegos hematófagos do Pantanal será testado no Canadá como opção de tratamento para pacientes que sofrem AVC (Acidente Vascular Cerebral).

A Universidade de Alberta, no Canadá, desenvolveu a droga manipulando geneticamente uma proteína usada pela espécie pantaneira para evitar a coagulação do sangue das vítimas das quais se alimenta.

O Morcego-vampiro do Pantanal é estudado desde 2003 na instituição canadense. Nesta quarta-feira a Universidade anunciou o início oficial da fase de testes da medicação em seres humanos.


Diversos hospitais do Canadá vão usar a “Desmoteplase” para destruir os coágulos no cérebro de pacientes que tenham sentido os primeiros sintomas do derrame em até nove horas antes do atendimento.

Nessa fase, o estudo será feito com a distribuição de forma aleatória entre os pacientes de doses da droga ou de placebo. Os participantes que aceitam participar não saberão se estão usando o medicamento verdadeiro.

Segundo o neurologista do hospital da Universidade de Alberta, Ashfaq Shuaib, que coordena a pesquisa, o uso da proteína presente na saliva do morcego do Pantanal é promissor e surgiu da observação dos hábitos naturais do animal no Pantanal sul-mato-grossense.

“Há muitos anos, os cientistas observaram que quando esses morcegos da América do Sul atacam animais para se alimentar do sangue, liberam na saliva a proteína que inibe a coagulação e pode até fazer a vítimas sangrar até a morte. Esse fato levou à especulação de que uma droga feita a partir da saliva desses morcegos-vampiro pode ser eficaz para quebrar os coágulos de sangue que causam ataques cardíacos ou derrames”, explicou Shuaib.

O TPA, um medicamento anticoagulante parecido, já é utilizado atualmente, mas só pode ser aplicado por via intravenosa se a vítima do AVC chegar ao hospital no máximo em 4 horas após o começo dos sintomas do derrame.

“Pessoas que vivem em regiões rurais ou remotas muitas vezes não têm acesso ao tratamento atual, que deve ser conduzido em hospitais com especialistas em AVC e estrutura para detectar os coágulos. Além disso, o TPA oferece um risco de induzir hemorragia cerebral”, disse Shuaib.

Para o médico canadense, as vantagens da droga feita da saliva do morcego do Pantanal começam com a diminuição do risco de hemorragia e incluem ainda uma janela de tempo de socorro maior. Revistas do meio acadêmico como a Stroke, já apontaram o Desmoteplase como uma “alternativa promissora ao TPA”.

 

 

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