PRF de Mato Grosso acusada de promover perseguição política
24HNews/PCS
A
senadora Serys Slhessarenko (PT) enviou um ofício ao ministro da Justiça, Luiz
Paulo Barreto, pedindo a apuração de um suposto caso de perseguição política na
Polícia Rodoviária Federal de Mato Grosso.
Especificamente,
para que seja conhecida as circunstâncias em que ocorreu a
exoneração do inspetor Fernando Roberto de Souza do cargo de chefia da
Delegacia da PRF de Rondonópolis. Fernando era um dos nomes sempre cotados para
assumir o cargo de superintendente do órgão no Estado. Militante do PT, apoiou a
senadora nas prévias que o partido realizou em abril.
O
afastamento dele do cargo foi feito pelo superintendente Clarindo Ferreira da
Silva, dias depois do resultado da consulta partidária. Em Rondonópolis, cujo
diretório é controlado pelo deputado federal Carlos Abicalil, a senadora obteve
uma das mais expressivas diferenças, chegando a quase 200 votos sobre o
dirigente. O inspetor disse que ficou surpreso com a decisão da
Superintendência, já que havia tomado ciência da sua exoneração por terceiros.
Fernando
Roberto está há 16 anos na PRF, dos quais, 10 deles, na função de gestão. Ele
assumiu a chefia de Núcleo Operacional de Rondonópolis em 2000 e ficou até
meados de 2003, quando foi nomeado chefe da 2ª Delegacia PRF de Rondonópolis.
Pelo trabalho e reconhecimento popular, a senadora vinha trabalhando o
nome de Fernando para ocupar o cargo de Clarindo Ferreira. A indicação contava
inclusive com o apoio do ex-governador Blairo Maggi.
Dois
dias antes de ser exonerado da função, Fernando Roberto esclareceu uma
situação envolvendo o policial rodoviário federal José Antônio Medeiros,
membro do PPS, contra o qual também foi aberto processo administrativo.
Medeiros
era apontado como um dos nomes fortes do PPS para disputar a eleição de outubro
como candidato a deputado federal. Seu nome também era cotado para ser suplente
do ex-procurador José Pedro Taques, pré-candidato ao Senado pelo PDT.
Fernando
Roberto, ao analisar o ato superior de abrir processo administrativo contra o
socialista, fez duras críticas ao encaminhamento.“Em nenhum momento a lei
autoriza a utilização da Corregedoria com o propósito de perseguição política e
moral. Caso isso esteja ocorrendo nesse caso, trata-se de uma prática
condenável” - posicionou-se. Dois dias depois, Fernando perdeu o cargo.
Além
de pedir apuração do caso, a senadora enviou requerimento para a Comissão de
Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado pedindo o depoimento do
superintendente da Polícia Rodoviária Federal de Mato Grosso.
Ela
quer que o superintendente esclareça a atuação da PRF no Estado nas atividades
de fiscalização e repressão a crimes e também sobre sua atuação em questões
envolvendo policiais rodoviários de Rondonópolis. O requerimento depende agora
da aprovação da Comissão. Feito isso, Clarindo Ferreira da Silva será
convocado.
Nesta
sexta-feira, a senadora voltou a fazer duras críticas ao presidente do PT no
Estado, Carlos Abicalil. Ao analisar informaçoes publicadas pela imprensa sobre
a nomeação de Zito Portela, ex-secretário de Meio Ambiente na primeira gestão
de Murilo Domingos na Prefeitura de Várzeda Grande, em gerencia da Secretaria
de Educação, a senadora disse não estranhar a possibilidade de ter havido troca
de favores. Zito apoiou Abicalil nas prévias em Várzea Grande.
“É
possível sim que seja uma troca de interesses, porque esse grupo do PT está
mesmo fazendo isso. Não só em Cuiabá, mas pelo Estado a fora. Ameaçando as
pessoas, prometendo, demitindo, alguns que já estavam trabalhando, até por
merecimento, eles demitiram”, disse Serys.