Recuperar
o glamour que a marca Chevrolet tinha no mercado brasileiro com modelos como
Monza e Opala é a tarefa dada ao sedã Malibu. O carro tem no seu DNA tudo o que
a General Motors já foi bem antes de enfrentar a crise, mas com um toque
moderno. O projeto visou aliar o conforto de novas tecnologias com traços do
clássico Corvette e da nova identidade da marca, ressaltada na parte dianteira
do veículo.
A
aposta na tradição trouxe resultados positivos nos Estados Unidos. Agora, o
Malibu passará pelo teste de conquistar consumidores do Brasil que têm como
opção Ford Fusion, Volkswagen Jetta, Honda Accord e Toyota Camry. Para isso, a
General Motors apostou em diversas frentes. A primeira é o preço. O carro tem
valor sugerido a partir de R$ 89,9 mil.
A
segunda, a exclusividade. Apenas 200 unidades serão importadas por mês e o
consumidor terá de encomendar o veículo por meio da rede de concessionárias. A
última corresponde ao pacote de itens de conforto e segurança.
O
modelo vem com airbags com sensores presenciais (são ativados conforme o peso
da pessoa, no caso, se uma criança estiver no banco do passageiro sua ação será
mais “suave”), sistema de freio ABS, EBD , PBA (assistente de frenagem de
urgência, que aplica força completa do freio), tela de LCD para os passageiros
do banco traseiro, monitor de pressão dos pneus, aviso de troca de óleo,
espelhos retrovisores externos eletrocrômicos (escurecem conforme a incidência
de luz), vidros laterais laminados, rodas de alumínio de 18’’, entre outros
itens.
“O
brasileiro está ficando cada vez mais exigente, então resolvemos oferecer um
sedã premium, de alta qualidade. Além disso, o Malibu traz a cara nova da Chevrolet”,
afirma o presidente da GM do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila.
Com
base em tal proposta apresentada pela fabricante, oG1 avaliou o sedã Malibu, pela
estrada californiana que passa pelas cidades de Santa Monica, a homenageada
Malibu e Las Posas, em percurso de 60 quilômetros.
À
primeira vista, o modelo clássico atrai a curiosidade de todos os gostos,
apesar de se tratar de um veículo voltado ao público masculino de mais de 45
anos. Para os mais nostálgicos, a parte traseira prende a atenção por bons
minutos, justamente pelas linhas de Corvette e de Opala.
Na parte interna, o acabamento acompanha a harmonia do conjunto, com bancos de
couro e painel desenhado em
curvas. No entanto, ainda faltam alguns detalhes importantes
para o segmento em que se posiciona, como encosto de cabeça mais confortável,
acabamento das portas em couro e apoiador para o braço no banco traseiro.
Fora
isso, o carro está bem ajustado ao seu alvo e proporciona alto nível de
conforto. Embora um dos argumentos dos concessionários para conquistar o
cliente seja o sistema de som do carro, um dos principais destaques do Malibu é
o silêncio. O isolamento acústico ganha de concorrentes de peso como o Carmy.
Ao
observar o desempenho, o modelo se mostra estável nas curvas. Por se tratar de
um sedã, o eixo de gravidade ajuda, porém a suspensão consegue equilibrar
precisão e suavidade. O modelo testado possui a suspensão utilizada para as
estradas americanas, no Brasil, no entanto, ela estará adaptada para as vias
locais e não pôde ser avaliada nesta oportunidade.
O
sedã tem ainda a seu favor excelente visibilidade, inclusive da parte traseira,
e bom rendimento do motor, com arrancadas rápidas. O propulsor de 2,4 litros de alumínio,
da família Ecotec, é o mesmo do SUV Captiva. Ele desenvolve 171 cavalos de
potência a 6.400 rpm e 22,1 kgfm de torque a 4.500 rpm. O conjunto é completado
pela transmissão automática de seis velocidades, em que as trocas são feitas de
forma suave.
Em
meio à realidade latino-americana de Celta, Classic e Agile, o sedã Malibu –
que na sua primeira concepção, na década de 1960, era a versão topo de linha do
modelo Chevrolet Chevelle –, juntamente com o Captiva e o Camaro, vem puxar da
memória do consumidor brasileiro o que a General Motors já proporcionou em
termos de prazer de dirigir e tecnologia. Em um período ainda conturbado para a
matriz, esse tipo de investimento expõe a necessidade da montadora de voltar às
suas raízes, com conceitos que não morreram, mas que a GM acabou deixando de
lado, especialmente no Brasil.
Nesse
raciocínio e com foco, naturalmente, nas vendas, o que muitos concessionários
consultados peloG1
esperam é que tal revitalização atinja projetos de modelos compactos “made in
Brazil”. Assim, a estampa “Premium” não se limitaria a sedãs topo de linha,
importados. Afinal, o tempo já apagou da memória do mercado brasileiro o que já
foi um dia o Monza ou até mesmo um hatch como o Kadette. Certas fórmulas não
deveriam ser mexidas, e a GM sabe disto. A prova é o Malibu.