Por estranho e assustador que pareça, há terremotos que são provocados pela atividade humana. Eles são chamados de sismos induzidos e surgem em decorrência de explosões nucleares, introdução de água e gás sob pressão no subsolo, construção de barragens, mineração a céu aberto de grandes proporções ou extração de fluidos, como petróleo, do subsolo.
De todas essas causas, a única que tem provocado sismos de magnitude considerável é a construção de barragens, mais precisamente, o enchimento do lago, pelo enorme peso que passa a existir no local. O maior desses sismos ocorreu na Índia, em 1967, na barragem de Koyna. Ele atingiu magnitude 6,3 e provocou 200 mortes.
No Brasil, o primeiro sismo induzido de que se tem notícia ocorreu na Hidroelétrica de Capivari-Cachoeira, a nordeste de Curitiba (PR), entre 1971 e 1972. A atividade sísmica continuou até 1979, mas cada vez menos intensa. E em 2000na cidade de Primeiro de Maio no Paraná.
Em terremotos desse tipo, é fácil entender, o risco maior é o de afetar a estrutura da própria barragem, pois ela se encontra no epicentro do abalo. Com o tempo os epicentros vão se afastando alguns quilômetros, acompanhando o deslocamento da pressão da água nas camadas mais profundas.
A infiltração de água nas fraturas das rochas pode causar tremores mais intensos nas proximidades dos reservatórios das usinas hidrelétricas. No mundo todo há registros de cerca de 100 terremotos que os especialistas acreditam e atribuem a alterações que os reservatórios provocam no solo – o mais sério, associado à construção da barragem foi o de Zipingpu, na China, atingiu 7,9 graus e matou 80 mil pessoas em maio de 2008.
Um grupo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB) identificou 16 hidrelétricas que induziram tremores de terra no Brasil. Sismos de magnitude 4 ocorreram nos anos 1970 nas proximidades dos reservatórios Volta Grande e Marimbondo, ambos no Rio Grande, a menos de 100 quilômetros de Bebedouro.
Os terrenos das áreas norte e nordeste do estado de São Paulo apresentam falhas geológicas que propiciam tremores, diz Tereza Higashi Yamabe, professora aposentada da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e atualmente pesquisadora-colaboradora do IAG que também estuda os poços artesianos da região, que suspeita-se que provoquem tremores.
Em Coxim sabe-se que a região do Jauru foi área de extração de diamantes, portanto no passado geológico houve intensas atividades vulcânicas, com isso podem existir falhas geológicas na região, o que trás a necessidade de nossas autoridades exigirem estudos técnicos e ciêntificos profundos para a implantação das PCHs (Pequenas Centrais Hidreletricas). Tema para ser debatido na audiência pública do dia 25.
Autor: Carlos Pedro de Souza é professor geógrafo em Coxim.