Com o objetivo de constatar a situação da
influência negativa das Pequenas Usinas Hidrelétricas (PCHs) ao gerar sua
energia, acompanhei alguns profissionais do jornalismo e da justiça em visita
ao rio Correntes, localizado nas divisas dos estados de Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul. A verificação foi feita nos dias 18 e 19 deste mês.
Estavam presentes a jornalista Bruna Lucianer, do
Correio do Estado (MS), os jornalistas Jean Fernandes dos Santos e Silvia
Santana, representantes da ONG “Ecoa rios vivos”, e o procurador Wilson Rocha
Assis, coordenador da Curadoria do Meio Ambiente do Ministério Público Federal
no estado de Mato Grosso do Sul. Os visitantes constataram in loco aquilo que
já era de conhecimento dos moradores das margens do rio e das pessoas que
freqüentam essa planície pantaneira.
Ou seja, o rio Correntes em alguns trechos não é
mais navegável por pequenas embarcações. Verificam-se chalanas encalhadas, a inexistência
de peixes para a própria sobrevivência dos ribeirinhos e o nível da água do rio
em constante alternância.
Sem mencionar a agricultura familiar, a criação de
gado e principalmente o turismo pesqueiro, que estão sendo prejudicados. Faço
um parênteses necessário para melhor compreensão do texto. É importante saber
que piracema corresponde à época em que os grandes cardumes de peixes adultos
seguem pelas correntes caudalosas dos rios em direção às suas nascentes com o
objetivo de efetivar o ciclo de reprodução das espécies.
A organização não governamental (ONG) “Ecoa rios
vivos” publicou um alerta em seu site dizendo que na região do pantanal a água
dita o ritmo de milhares de vidas (pessoas, animais e plantas) e todos esses
organismos estão ameaçados pela instalação de 116 pequenas centrais
hidrelétricas (PCHs) na Bacia do Alto Paraguai, que é o maior responsável pelo
regime de inundações periódicas que fazem da região o Patrimônio da Humanidade.
Débora Calheiros, bióloga e pesquisadora da
Embrapa Pantanal, faz um sério alerta: “Desmatamento e criação de gado de forma
equivocada são problemas possíveis de minimizar. Os impactos das pequenas
centrais não são”. Na qualidade de dono de pesqueiro no rio Correntes, posso
falar com segurança de que essas usinas hidrelétricas são as causadoras dessa
situação catastrófica que ocorre no pantanal.
Isto porque, se não houver a reprodução natural
dos peixes a partir da piracema, com certeza os peixes velhos que ficam nas
grandes baias e que não participam desse ciclo, irão aos poucos sendo
dizimados, ou pelo pescador ou por predadores.
O pantanal é o local onde vive uma grande
comunidade de animais e também onde os peixes crescem e quando adultos partem
para as nascentes dos rios a fim de se reproduzirem.
Repetindo, se esses peixes adultos não se
reproduzirem, certamente em pouco tempo serão extintos. Construir hidrelétricas
virou coqueluche no Brasil, principalmente nos planaltos, onde estão as
nascentes dos rios que deságuam nas bacias do Alto Taquari e Alto Paraguai.
Estão previstas duas dezenas de empreendimentos
similares prestes a serem viabilizados na principal microbacia da Bacia
Hidrográfica do Alto Paraguai, que é justamente a do Taquari, onde estão
previstas PCHs em seus rios de maior destaque: o próprio Taquari, o Coxim e o
Jauru.
A comunidade de Coxim-MS está se mobilizando para
debater o assunto com mais profundidade, com audiência pública programada para
ocorrer dia 25 de junho, a partir das 19:00 horas, no auditório da Universidade
Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).
Importante também registrar que o tema PCH foi
motivo de apresentação de “Moção de Repúdio” nas conferências Municipal e
Estadual das Cidades, no XIII Fórum de Arte e Cultura de Coxim (Forarte), e
também na 2ª Conferência Municipal e Estadual de Cultura, segundo o jornal
Folha do PantanalCoxim (21/06/2010). Os relatórios elaborados pelas
autoridades que visitaram o rio Correntes serão divulgados na imprensa.
A coisa é séria. Para o Brasil ser potência
ambiental faz-se necessário a mobilização da população. Finalmente, é
importante dizer que essas “PCHs” estão isentas da compensação financeira
destinada aos municípios, estados e União, sendo sua produção vendida para
outros estados, não trazendo assim nenhum benefício ou progresso aos municípios
onde é gerada a energia.
(*) Saulo Moraes, estudante de jornalismo, advogado e ambientalista.
Texto produzido especialmente para o Edição de Notícias
10 Comentários
Rafaela
do lar |
16/09/2010 11h23
coxim |
rafaelarcesar@hotmail.com
Pois é minha gente, pra que haja uma intervenção, é necessario que nós façamos, alguma coisa, manifestação, sei lá, alguma coisa, ñ basta só o edição, fazer isso, nós é q temos q sair nas ruas fazer o que for possivel, pq o impossivel é Deus quem faz, um grande abraço a tds, e vamos fazer algo, é o futuro dos nossos filhos!!!!!!!!!!
salete professora
professora |
27/06/2010 13h34
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a jornalista ana flavia nao mediu esforço no combate as criminosa pchs para bens se comporte sempre em beneficio do povo
joel
contador |
27/06/2010 13h31
sonora |
quando o diario do estado e edçao de notica a 4 anos atraz fizeram a campanha para melhoria da br l63, fechanndo inclusive a pista hoje nos ja sentimos a grande mdelhora que tem imprensa desta qualidade precisa muito pouco xde politicagem
s as camponhas produzidas pelo diario do estrado e edçao de noticias tem sido orgulho de nossso povo, obrigado minha gente nos temos voces em nossa defeza
dariocomeerciante
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27/06/2010 13h22
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obrifado diario do estado pela exelente campanha acrda coximesta e a primeira eata do projeto acorada coxim,vamos aguaardar az proxima que seja acorda fregiao nortye que ja dorme a muito tempo
ermerson
jmeddico |
27/06/2010 13h18
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mais uma vez a o diario do estado, desenvolve uma campnha em defeza da população da regiao norte, temos o dever e obrigação de reconhecer que hoje temos defensol dos nosssos diretos obrigado diario estamos sempre com voces
fagner
guia de pesca |
26/06/2010 19h37
coxim e região |
aos ditos representantes do povo que lutam pelos ideais do povo oque vão fazer a respeito das pchs vão esperar serem construidas para assim tomarem alguma providência acordem enquanto a tempo ou esperamos nossos rios morerrem para acordarmos de que isso não trára nenhum beneficio para a maioria da nossa população?
Roberto
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26/06/2010 14h12
coxim |
A populaçao sul matogrossense tem que se mobilizar, nossos representantes estaduais e municipais tem que repudiar uma obra que destruirá todo um ecossistema, essas pchs só beneficiaram os proprietários pois nem a iluminação pública do local vai diminuir o valor cobrado, o ministério público federal e estadual tem que intervir, se estas obras forem aprovadas podem ter certeza que terá a participação de um colarinho branco para beneficiar uns e outros. DIGA NÃO AS PCHs
Eh Coxim
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26/06/2010 13h52
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Concordo plenamente com o Anderson. Acorda Coxim, acorda povo, não vamos deixar que acabem o que ainda sobrevive dos nossos rios!!!
Anderson
Engenheiro |
26/06/2010 11h46
Coxim |
Parabems pela excelente reportagem. ACORDA COXIM,se necessario vamos bloquerar a BR 163,só assim esses fajutos ditos "REPRESENTANTE DO POVO" vão ver que os nossos rios vão morrer e com eles oque resta de nossa cidade. É só bloquear a BR por um ou dois dias que a midia vai mostrar ao Brasil inteiro o crime que estão para cometer com os nossos rios.