Os mercados voltaram a estressar os ânimos na jornada desta sexta-feira,
encerrando uma semana em que azedaram as perspectivas dos agentes
financeiros sobre as duas principais forças da economia mundial: China e
EUA.
Depois que o Banco Central americano avisou que já conta com um
crescimento mais lento da economia local neste ano, vários indicadores
têm reforçado o cenário entrevisto por essa autoridade monetária. Hoje
foi a vez de uma sondagem privada, a cargo da Universidade de Michigan,
que revelou uma piora drástica nas expectativas dos consumidores para os
próximos meses. Seu índice de confiança na economia caiu de um patamar
de 76 pontos em junho para 66,5 em julho, o menor nível nos últimos 11
meses.
"Nós notamos por aqui que, principalmente depois que saiu o índice de
Michigan, os ânimos pioraram bastante. Você veja que a Bolsa de Nova
York está caindo hoje mais de 2%. E nós temos que lembrar o problema da
China. Já faz muito tempo que o mercado espera que esse país cresça
menos, o que também preocupa", comenta Glauber Romano, profissional da
corretora Intercam.
Nesse cenário, o dólar comercial foi vendido por R$ 1,782, em alta de
0,56%, nas últimas operações de hoje. Os preços da moeda americana
oscilaram entre R$ 1,789 e R$ 1,764. Nas casas de câmbio paulistas, o
dólar turismo atingiu R$ 1,910, em um avanço de 0,52%.
Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) perde 1,66%,
aos 62.437 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,7 bilhões. Nos EUA, a
Bolsa de Nova York cai 2,37%.
Juros futuros
No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos
empréstimos nos bancos, as taxas projetadas voltaram a ceder. Entre as
principais notícias do dia, o índice de inflação IGP-10 apontou variação
de 0,05% para o mês de julho, quando muitos economistas do setor
financeiro contavam com uma alta acima de 0,20%.
No contrato para outubro deste ano, a taxa prevista retraiu de 10,92% ao
ano para 10,85%; no contrato para janeiro de 2011, a taxa projetada
cedeu de 11,16% para 11,06%; e no contrato para janeiro de 2012, a taxa
prevista caiu de 11,72% para 11,64%. Esses números são preliminares e
estão sujeitos a ajustes.
Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária volta a se reunir para
ajustar a taxa básica de juros, hoje em 10,25% ao ano. Até ontem, havia
um consenso no mercado de que a chamada "Selic" seria ajustada para
11%.