A
volta dos dias de chuva ao Sul e Sudeste após quase três semanas de estiagem
trouxe também o perigo dos acidentes de trânsito provocados pela pista mais
escorregadia.
As pistas molhadas facilitam, sobretudo, as colisões traseiras,
afirmam especialistas. A chuva, mesmo leve, também pode ocasionar perda de
contato do carro com o solo, a chamada aquaplanagem. O risco é maior em caso de
asfalto com muita irregularidade ou “liso” demais.
“Nesse
tipo de superfície, mesmo com uma chuva leve, mas que não pára, pode haver
acúmulo de água”, diz a professora de engenharia de transportes Liedi Bernucci,
da Escola Politécnica da USP.
O
perigo é maior nas rodovias por causa da velocidade. “A 100 km/h, o atrito entre o
pneu e a superfície cai pela metade. O veículo precisa de mais distância para
parar”, explica Liedi. A falta de manutenção também aumenta a chance de o carro
perder contato com o solo. “Uma lâmina de água de 3 ou 5 milímetros já
ocasiona aquaplanagem num veículo leve. A 120 km/h, com o pneu um
pouco gasto, o risco é grande.”
A
formação de lâmina ou bolsão de água não é normal em um pavimento bem feito,
alertam engenheiros. Nem mesmo quando há chuva forte. “Nas rodovias, há uma
espécie de capa sobre o asfalto, que tende a “jogar” rapidamente para fora a
água acumulada”, explica Creso de Franco Peixoto, da FEI. O clima de cada
região exige uma adaptação do projeto da rodovia ou das ruas: “Onde chove mais,
o pavimento dura menos. É preciso uma estrutura mais forte.”
Previsão de chuva e neblina
São Paulo deve ter cinco dias seguidos de chuva, até sábado (17), segundo a
previsão do Inmet. Também deve chover no Paraná, litoral do Espírito Santo e o
Rio de Janeiro. Além da pista molhada, o motorista também deve tomar cuidado
com a neblina, típica da época de frio e que não ocorre só em região de serra.
Em 16 de junho passado, dois acidentes na Dutra, em SP, envolveram,
respectivamente, 11 e cinco veículos. Segundo testemunhas, havia muita neblina
no momento das duas ocorrências.
Esse
tipo de acidente também costuma ter relação com a velocidade. “Por isso vemos
notícias de engavetamentos com mais de 100 carros em países com estradas em que
se pode andar a 200 km/h,
como a Alemanha”, diz Alexandre Castilho, assessor da Polícia Rodoviária
Federal. “Na Dutra, por exemplo, com limite de 110 km/h, há motoristas
que não querem reduzir mesmo na ocorrência de neblina.“
Mas,
em geral, afirma Castilho, o mau tempo faz a maioria dos motoristas tomar mais
cuidado, além do fato de que menos gente se aventura a pegar a estrada nessas
condições. "Sabemos que 71% dos acidentes nos últimos cinco anos
aconteceram com tempo bom e pista seca", diz