Melhor do Enem 2009, colégio diz ter orgulho de ser pequeno
Terra/PCS
O
campeão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009 no País é localizado
em uma área menor que uma quadra do bairro Campo Belo, na zona sul de São
Paulo, o colégio Vértice II tem orgulho de ser pequeno e de educar de forma
quase individualizada seus cerca de 900 alunos.
As turmas jamais ultrapassam 50
alunos e não existe a famigerada "turma do fundão". O preço da
exclusividade, para um aluno de 3° ano: 13 mensalidades anuais de R$ 2.756.
O
ranking do Enem já havia premiado o Vértice II com o 2° lugar em 2006 e o 3° em
2005, mas esta é a primeira vez que a escola recebe o 1° lugar no ensino médio.
O resultado empolga o diretor Adilson Garcia, mas não é considerado uma meta.
"Sempre fomos primeiros em
São Paulo, mas encaramos o ranking nacional como a premiação
de um bom trabalho, mas de modo algum como objetivo educacional", disse.
A
ênfase do colégio é para a leitura e para o entendimento dos conteúdos. Segundo
o diretor, o desafio é que o aluno consiga sair do Vértice com autonomia para
buscar seus conteúdos. Para ajudar, aulas extracurriculares que vão da
culinária ao xadrez, passando por sapateado e a música. "Esta autonomia é
algo que o indivíduo vai levar para a vida toda, não é só para o colégio",
disse.
Fundada
por uma psicóloga e pedagoga, a escola não se contenta com o índice de 30% a
40% de aprovação em escolas públicas no vestibular. Segundo Garcia, cada
professor tem a orientação de procurar distinguir entre seus alunos qualquer
variação de comportamento entre seus alunos que indique algum problema
emocional e chamá-lo para uma conversa particular, se necessário. "Nós
exigimos que conheçam o máximo que podem dos seus alunos", diz o diretor.
Mas
como fazer isso sem invadir a privacidade do aluno na adolescência, fase em que
este valor é tão precioso? O diretor esclarece: "Só no olhar. Se o aluno
está cabisbaixo, isso pode indicar alguma dificuldade em casa como uma
separação dos pais, a morte de um avô ou do animal de estimação",
exemplifica o educador. As medidas podem incluir uma conversa particular, a
sugestão de alguma atividade especial como teatro ou uma reunião entre
professores e pais.
O
trabalho de participação da família no aprendizado é levado a sério e a
negligência dos pais é considerada grave e passível da expulsão do aluno.
"Nossa relação com os familiares precisa ser de confiança, se percebemos
que os pais não são nossos parceiros sugerimos que procurem outra escola para o
próprio bem de seus filhos", diz o diretor.
A
proximidade na relação é aprovada pelos cinco alunos ouvidos pela reportagem.
Todos foram unânimes em afirmar que a alta mensalidade deve ser encarada como
um estímulo para o bom desempenho escolar e que o grupo é compacto e unido em
torno do desafio de ingressar em uma universidade. Mesmo em férias escolares,
estiveram durante a manhã e a tarde da última sexta-feira. "Nosso
professor é nosso amigo", diz Daniel Tong, 17 anos. Para André Bianco, 17
anos, mesmo sendo uma pessoa próxima, não deixa de ser uma autoridade a ser
respeitada e considerada.
Renan
Rodrigues, 17 anos, disse que vê o educador como seu próprio pai. Fernando
Vilela discordou, afirmando que o professor é uma entidade distinta, mesmo com
a intimidade presente na relação. Felipe Freiria, também 17 anos, elogiou o
fato de que a escola não "inchar" as salas de aula como outros
colégios particulares maiores.