Emerson
Fittipaldi, em sua primeira temporada na F1, em 1970, deu o título de campeão
ao seu companheiro de equipe, Jochen Rindt.
Isso
parece familiar, não? Mas vale o seguinte esclarecimento:
Emerson
batera o carro de Rindt num treino e cedeu o seu ao austríaco, claramente
primeiro piloto da equipe Lotus e líder do campeonato, correr o GP de Monza.
Rindt morreu, num acidente. Na última prova, Fittipaldi, que já vinha em
ascensão, venceu sua primeira corrida, assegurando a Rindt o título, póstumo!
Eram
os tempos românticos da F1, quando os pilotos mostravam que eram bons na pista.
Época em que o Brasil surpreendia o “Primeiro Mundo”, desinformado e arrogante,
com um piloto jovem, cerebral, genial!
Esse
início foi muito bem seguido por José Carlos Pace, apesar da fama de azarado.
Piquet, meu favorito, superou quase tudo para ser um dos maiores pilotos da
história, intempestivo, briguento, voraz. Senna, que já havia conseguido muito
– apesar de Prost -, não teve a paciência de Schumacher para esperar a Ferrari
voltar a ser grande: preferiu a Williams...
A
morte de Senna nos tirou do “olimpo” da F1, sem que houvesse um sucessor a sua
altura. Será que era querer demais?
Sem
desmerecer os dois vice-campeonatos de Rubinho, e um, de Felipe, o Brasil
desceu aos infernos desse esporte. Massa, em 2008, esteve muito próximo de
conquistar um merecido título mundial, mas foi prejudicado pela absurda
negligência da Ferrari, em duas corridas. Depois, em 2009, sua ascensão foi
tolhida por uma porca do carro de Rubinho: “porca miséria!”, como dizem os
italianos.
O
GP de Hockenheim, no entanto, parece mostrar que definitivamente fomos
relegados à condição subalterna, humilhante, na F1:
Rubinho,
na Ferrari, já havia cumprido ordens da equipe para deixar Schumi passar, “for
the championship” (pelo campeonato), como ordenou Jean Todt, em 2002; Nelsinho
Piquet protagonizou um lamentável episódio, em 2009, para beneficiar Alonso; e,
agora, mais uma vez com um brasileiro, Alonso e Ferrari, Massa recebeu,
pausadamente, a “informação” de que o espanhol estava mais rápido do que ele,
pouco depois de mostrar que poderia estar à frente, e bem, desse inegavelmente
bom piloto, mas extremamente arrogante e deselegante. Embora seja impossível
afirmar o sentido do “Ridiculous!” de Alonso - a menos que ele próprio seja
honesto em explicá-lo -, um piloto de alto nível reclamaria de uma defesa
tecnicamente bem feita de uma posição?
É...
Parece que temos um “karma” com espanhóis e pistas, sejam de aeroportos ou
corrida... E com a Ferrari, também!
Massa
é um piloto brasileiro e não o Brasil. Ele tem uma profissão, responsabilidades
contratuais e contas para pagar. Sua carreira é um problema exclusivamente
dele!
Mas
o que dizer de nós, que ligamos a televisão, o rádio ou o computador na
internet, aos domingos, para acompanhar uma competição e torcer por um
brasileiro? Dá para fazer isso com um mínimo de motivação ou esperança de
vitória quando seu companheiro de equipe estiver atrás, não necessariamente “na
cola”?
“Ridiculous”,
sim, tem sido acompanhar a F1 nos últimos 16 anos, e ter como única expectativa
a de que alguém responda, pelo rádio do “cockpit”, para glória do esporte: -
“Enough!” (chega!).
Mas
também devemos refletir: e se fosse o contrário?
Por isso é que tenho saudades de Emerson, Piquet
e Senna; e de Jackie Stewart e Nick Lauda, também! Esses, sim, eram
esportistas: pilotos que sabiam acertar máquinas e ganhar por mérito!
Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e
Compositor