Quase 40% dos jovens da zona rural são analfabetos
EFE/PCS
Quase
40% da população de entre 16 e 32 anos que vive e trabalha na zona rural é
analfabeta, disse nesta terça-feira a Confederação Nacional de Trabalhadores da
Agricultura (Contag).
Segundo a secretária de juventude do sindicato, Maria
Elenice Anastácio, citada pela Agência Brasil, o analfabetismo afeta
três milhões dos quase oito milhões de brasileiros desta faixa etária e que
trabalham no campo.
Maria
Elenice diz que o número seria ainda maior se fossem somados os jovens que
residem em pequenos núcleos urbanos e vivem de atividades econômicas
relacionadas ao campo. Segundo ela, a falta de serviços e centros educativos na
zona rural está por trás da falta de formação dos jovens empregados no setor
agrário.
"O
trabalhador rural tem que buscar a cidade para ter acesso à saúde, à informação
e à escola. Mas como vão pegar um transporte precário para estudar na cidade se
estão cansados do trabalho exaustivo?", perguntou Maria Elenice. A
coordenadora do curso de Licenciatura em Educação no Campo da Universidade de
Brasília (UnB), Mônica Molina, apontou a falta de escolas no campo como causa
essencial da falta de formação para a população rural.
"O
interesse em estudar existe. Hoje, o trabalhador dá mais importância ao estudo
do que em gerações anteriores", disse Mônica à Agência Brasil.
Segundo ela, a partir da quinta série do Ensino Fundamental, é difícil
encontrar turmas no meio rural, e por isso muitos acabam desistindo de estudar.
Mônica
acrescentou que aproximadamente 70% das escolas rurais oferecem turmas da primeira
até a quarta séries do Ensino Fundamental, enquanto apenas 4% têm turmas de
Ensino Médio. De acordo com Mônica, poucos alunos continuam estudando após os
primeiros anos de escolarização, o que somado ao absentismo e aos
"recursos didáticos escassos" leva a elevados graus de analfabetismo
funcional.
"Sem
acesso à escolarização correta na idade apropriada, o jovem acaba perdendo a
condição de ler e interpretar após alguns anos", declarou. Segundo Mônica,
entre 2005 e 2007, oito mil escolas rurais foram fechadas no país.