Médica admite ter cortado lábio de jogador de rúgbi para simular ferimento
Folha/LD
Uma
médica britânica admitiu ter cortado o lábio de um jogador de rúgbi para
simular um ferimento, como parte de um plano para permitir sua substituição no
final de uma partida válida pelas quartas de final de um dos mais importantes
campeonatos europeus de clubes.
O
jogador Tom Williams havia admitido ter mordido uma cápsula de sangue falso nos
minutos finais da partida em que sua equipe, os Harlequins, perdia por 6 a 5 do Leinster, também do
Reino Unido, em abril de 2009.
Com
isso, sua equipe pôde se aproveitar da regra que permite a substituição de
jogadores após ferimentos com sangue. Williams foi substituído por um
"kicker", jogador especialista em chutar a bola a gol.
O
caso, que foi apelidado pela mídia britânica de "Bloodgate", voltou a
ganhar as manchetes dos cadernos de esporte nos últimos dias, após Williams ter
afirmado que pediu à médica Wendy Champman para cortar seu lábio após temer que
sua simulação fosse descoberta depois do jogo.
O
episódio lembra o caso do goleiro chileno Roberto Rojas, que foi expulso do
futebol após cortar o supercílio para simular um ferimento com um rojão durante
um jogo entre as seleções do Chile e do Brasil, no Maracanã, nas eliminatórias
para a Copa do Mundo de 1990.
Desonestidade
Chapman
admitiu ter atendido ao pedido de Williams a um painel do Conselho Geral de
Medicina (GMC, na sigla em inglês).
A
médica, que foi afastada em setembro de seu posto em um hospital de Maidstone,
ao sul de Londres, está sendo investigada pelo GMC sob acusação de
desonestidade e conduta passível de denegrir a imagem da profissão.
Segundo
seu relato ao painel, o jogador estava em "pânico" após ter tido a
"autenticidade" de seu suposto ferimento questionada.
Chapman
afirmou ter feito uma incisão no lábio de Williams com um bisturi porque o
jogador queria mostrar ter um "ferimento real".
Ela
também admitiu ter mentido a uma comissão disciplinar da European Rugby Cup
(ERC), que organiza o campeonato disputado pela equipe. A ERC havia absolvido a
médica da acusação de má conduta.
Dente solto
Chapman
também admitiu ter falado ao jogador, em frente aos juizes da partida, que ele
tinha um dente solto.
Mas
ela negou ter tido a intenção de enganar os outros com sua afirmação.
Um
representante do GMC admitiu que a médica não participou ativamente do plano
para simular o ferimento de Williams e que apenas se envolveu no incidente após
o jogador "implorar" a ela para cortar seu lábio.
Após
o incidente, o diretor de rúgbi do Harlequins, Dean Richards, foi suspenso pela
European Rugby Cup por três anos e o clube foi multado em 259 mil libras (cerca
de R$ 706 mil).
As
investigações da entidade concluíram que Richards havia ordenado
"ferimentos" com sangue falso em outras quatro ocasiões e que
orquestrou o plano para encobrir o escândalo do “Bloodgate”.
Williams
foi inicialmente suspenso do esporte por 12 meses, mas teve a pena reduzida
para quatro meses após admitir ter usado a cápsula de sangue falso.