Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010         11h37        69
Região Norte tem o dobro de desnutrição da região Sul, segundo IBGE
Folha/PCS
A Região Norte do país tem o dobro de crianças até 5 anos desnutridas em comparação à região Sul, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, do (IBGE) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada nesta sexta-feira.

O problema está concentrado na Região Norte (8,5%) e Nordeste (5,9%) e em famílias com os menores rendimentos. Entre os grupos com renda igual ou inferior a um quarto de salário mínimo é de 8,2%, mas persiste em famílias com ganhos superiores a cinco salários (3,1%), onde é menor, e também nas regiões Sul (3,9%), Sudeste (6,1%) e Centro-Oeste (6,1%).

Ainda de acordo com o levantamento, que pesou e mediu moradores de 60.000 domicílios, o déficit de altura em crianças menores de cinco anos de idade, um dos indicadores da desnutrição, foi de 6,3% entre os meninos e de 5,7% entre as meninas, sendo maior no primeiro ano de vida.

Embora o problema esteja diminuindo no país, o Brasil ainda não conseguiu acabar com a desnutrição de crianças menores de 5 anos.

A pesquisa destaca que a desnutrição está em queda desde a década de 1980. O percentual de déficit de altura de crianças entre 5 a 9 anos é de 7,2% entre os meninos e de 6,3% entre as meninas, menor que os índices de 1974 e 1989, quando foram registrados 29,3% e 14,7%, respectivamente, entre os meninos. Entre as meninas, os índices eram de 26,7% e 12,6%.

Entre os adultos, chama atenção o percentual de 5,5% de déficit de peso de mulheres da região rural do Nordeste, de 8,3% entre as mulheres na faixa dos 20 a 24 anos, de 5,4% entre aquelas com mais de 75 anos e de 5,7% entre as de menor renda. Todos esses quadros também podem ser classificados como desnutrição.

"A questão da desnutrição vem se reduzindo. Mas está coerente com outros estudos feito no país, tanto em termos da análise de idade entre os pequenos, com menos de 5 anos, quanto em déficit de peso nas outras populações por faixa etária", afirmou a pesquisadora do IBGE, Marcia Quinstlr.

Segundo o documento, a melhoria do quadro reflete incremento do poder aquisitivo das famílias de menor renda, da escolaridade das mães e da cobertura de serviços básico de saúde, conforme constatou a última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

A pesquisa ainda chama atenção para o percentual de crianças entre 5 a 9 anos com excesso de peso ou obesas, 33,5% e 14,3% do total, respectivamente, que estão, em sua maioria, na Região Sudeste. O déficit de altura nessa idade é de 6,8% do total e o déficit de peso, de 4,1%.

Entre os jovens de 10 a 19 anos, o déficit de peso é de 3,4% e preocupa mais o percentual de excesso, 20,5%.

 

 

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