Região Norte tem o dobro de desnutrição da região Sul, segundo IBGE
Folha/PCS
A
Região Norte do país tem o dobro de crianças até 5 anos desnutridas em
comparação à região Sul, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares
2008-2009, do (IBGE) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada
nesta sexta-feira.
O
problema está concentrado na Região Norte (8,5%) e Nordeste (5,9%) e em
famílias com os menores rendimentos. Entre os grupos com renda igual ou
inferior a um quarto de salário mínimo é de 8,2%, mas persiste em famílias com
ganhos superiores a cinco salários (3,1%), onde é menor, e também nas regiões
Sul (3,9%), Sudeste (6,1%) e Centro-Oeste (6,1%).
Ainda
de acordo com o levantamento, que pesou e mediu moradores de 60.000 domicílios,
o déficit de altura em crianças menores de cinco anos de idade, um dos
indicadores da desnutrição, foi de 6,3% entre os meninos e de 5,7% entre as
meninas, sendo maior no primeiro ano de vida.
Embora
o problema esteja diminuindo no país, o Brasil ainda não conseguiu acabar com a
desnutrição de crianças menores de 5 anos.
A
pesquisa destaca que a desnutrição está em queda desde a década de 1980. O
percentual de déficit de altura de crianças entre 5 a 9 anos é de 7,2% entre os
meninos e de 6,3% entre as meninas, menor que os índices de 1974 e 1989, quando
foram registrados 29,3% e 14,7%, respectivamente, entre os meninos. Entre as
meninas, os índices eram de 26,7% e 12,6%.
Entre
os adultos, chama atenção o percentual de 5,5% de déficit de peso de mulheres
da região rural do Nordeste, de 8,3% entre as mulheres na faixa dos 20 a 24 anos, de 5,4% entre
aquelas com mais de 75 anos e de 5,7% entre as de menor renda. Todos esses
quadros também podem ser classificados como desnutrição.
"A
questão da desnutrição vem se reduzindo. Mas está coerente com outros estudos
feito no país, tanto em termos da análise de idade entre os pequenos, com menos
de 5 anos, quanto em déficit de peso nas outras populações por faixa
etária", afirmou a pesquisadora do IBGE, Marcia Quinstlr.
Segundo
o documento, a melhoria do quadro reflete incremento do poder aquisitivo das
famílias de menor renda, da escolaridade das mães e da cobertura de serviços
básico de saúde, conforme constatou a última Pnad (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios).
A
pesquisa ainda chama atenção para o percentual de crianças entre 5 a 9 anos com excesso de peso
ou obesas, 33,5% e 14,3% do total, respectivamente, que estão, em sua maioria,
na Região Sudeste. O déficit de altura nessa idade é de 6,8% do total e o
déficit de peso, de 4,1%.
Entre
os jovens de 10 a
19 anos, o déficit de peso é de 3,4% e preocupa mais o percentual de excesso,
20,5%.