Brasil se aproxima de ser a 7ª maior economia, mas terá desafios
Invertia/PCS
Embora
tenha quebrado o ritmo de avanço da economia brasileira, a crise global de 2008
ajudou o País a subir duas posições entre os maiores Produtos Internos Brutos
(PIB) do mundo, de décimo em 2007 para oitavo lugar no ano passado.
Estimativas
recentes da Bloomberg apontam que a soma das riquezas geradas em
território nacional entre o segundo trimestre de 2009 e o primeiro de 2010
atingiu US$ 1,8 trilhão, deixando a Espanha mais para trás e se aproximando da
Itália, a sétima colocada. De acordo com economistas, o Brasil se favoreceu de
uma retração dos "rivais", da valorização do câmbio e precisar
superar desafios antes de se consolidar no grupo das sete maiores economias do
mundo.
Segundo
números do Banco Mundial, o País galgou uma posição em 2008 ao ultrapassar o
Canadá e outra em 2009, quando a Espanha viu o seu PIB retrair de US$ 1,60
trilhão para US$ 1,46 trilhão. Se o país ibérico tivesse apenas mantido a
atividade econômica, ainda estaria à frente do Brasil, que somou US$ 1,57
trilhão em 2009. Para o economista Celso Grisi, do Instituto de Pesquisas
Fractal, a subida não foi "mérito" de uma economia em forte ritmo de
crescimento.
"A
crise espanhola é conhecida pelos desmandos na política econômica do país, que
está com uma dívida muito alta. Em relação ao Canadá, é um país com área
estreita de produção, industrialização razoável, serviços estabelecidos e
turismo forte, mas na crise é muito dependente da economia americana.
Atualmente já se arrumou e tem potencial para recuperar a posição nos próximos anos",
afirma Grisi.
Enquanto
isso, os Estados Unidos mantêm a ponta com a mesma folga dos anos anteriores.
Com US$ 14,25 trilhões, a maior economia do mundo tem PIB quase três vezes
maior que o segundo colocado (Japão, com US$ 5 trilhões). Mesmo com a crise, o
Brasil viu a distância dos EUA aumentar em 2% entre 2007 e 2009. Em igual
período, apenas a China conseguiu reduzir substancialmente a diferença ante a
economia americana, com alta de US$ 3,38 trilhões para US$ 4,90 trilhões.
Além
de ter mostrado maior resistência na crise financeira, o resultado brasileiro
foi ajudado pelo câmbio, segundo o professor Fabio Gallo Garcia, da FGV-EAESP.
"O real está valorizado, assim quando o PIB é transformado em dólar fica
melhor. Há uma perspectiva de melhora e crescimento efetivo, mas no ano passado
todos caíram muito e o Brasil só 0,2%", diz Gallo. Já Fabio Kanczuk,
professor de economia da FEA, vai mais longe ao ressaltar a importância deste
quesito no ranking.
"Teve
crescimento, mas não foi nada de espetacular. Espetacular foi a apreciação do
real. Enquanto o avanço econômico é da ordem de 5%, o do câmbio é de 30%. Este
é um processo que não pode durar para sempre", afirma Kanczuk. Segundo
ele, em cerca de dois anos a valorização se tornará insustentável e o Brasil
deve até perder posições no ranking, com o real em um patamar mais
"adequado". No entanto, o País deve manter um crescimento lento,
impulsionado pela demanda da população a longo prazo.
2030
Um estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers já apontou que o Brasil deve
ser a 5ª maior economia do mundo em 20 anos, acompanhando o avanço dos países
emergentes. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, essa posição já pode
ser alcançada na próxima década. No entanto, esta trajetória pode ser desviada
por problemas internos. De acordo com Gallo, o Brasil andou de lado por décadas
e agora está no rumo certo, mas deve resolver os gargalos de infraestrutura.
"Crescer
de maneira desenfreada não adianta porque não temos base. Não somos um país
poupador e o orçamento em termos de investimento é quase metade do valor da
corrupção. Como vai crescer sem energia, com portos caros, sistema tributário
horrível e uma gastança enorme do governo? Se não tirar isso da frente, o sonho
de ser a quinta economia pode não ser possível", afirma Gallo.
Para
Grisi, o resultado das contas públicas em julho já é uma amostra do descontrole
- a economia feita pelo setor público, excluindo despesas e receitas de juros,
foi de R$ 2,454 bilhões, o pior resultado desde 2001. Já no acumulado em 12
meses, o superávit correspondeu a 2,03% do PIB, o menor desde março e abaixo
dos 3,3% da meta traçada pelo governo. "Ainda temos o problema da alta
carga tributária - sem uma reforma vamos ficar na dependência de uma política
agressiva de juros. No entanto, podemos encontrar soluções com avanços na
legislação e acredito que vamos fazer", afirma.