Nesta terça-feira (31), durante sessão na Assembléia Legislativa, o deputado estadual Ary Rigo (PSDB) levantou o debate sobre a proliferação da mosca do estábulo em Mato Grosso do Sul, assim como os prejuízos causados na produção pecuária.
A mosca do estábulo, nome científico stomoxys calcitrans, se alimenta unicamente de sangue, o que provoca inúmeros danos, como a perda de peso de animais – cerca de meio quilo por dia – bem como o surgimento de feridas na mama das vacas, provocando a morte de bezerros que não conseguem se alimentar. Segundo o parlamentar, a praga atua num raio de 15 quilômetros.
Rigo apontou como principal causador da proliferação da mosca as usinas de cana no Estado, listando as usinas de Vista Alegre, Monte Verde, as dos municípios de Angélica e Nova Alvorada do Sul. “A usina corta a cana e deixa a cobertura de palha no solo. A larva do mosquito procura exatamente a celulose. Por conta do solo irregular são criadas poças de vinhoto, que é o alimento da mosca”, explicou.
O primeiro-secretário lembrou que trouxe o mesmo debate no ano passado à Casa de Leis e que, um ano depois, ainda não há nenhum combate químico aprovado contra a praga. Rigo apontou como solução incorporar o vinhoto no solo. A técnica consiste em, depois de espalhado o vinhoto, utilizar maquinário que, na prática, aterra o vinhoto. Assim, a mosca não teria condições de se alimentar.
O deputado criticou duramente as usinas de álcool do Estado e disse que, por inúmeras vezes, tem procurado os representantes do setor para discutir soluções, no entanto, não obtém êxito. “As usinas provocaram um desequilíbrio ecológico. O prejuízo para quem mora ou tenha produção de carne ou de leite, num raio de 15 quilômetros, é incalculável. Nesse capitalismo selvagem que aí está é na usina que o mosquito se cria e prolifera”, disse.
Rigo ainda citou sua experiência própria para embasar seu posicionamento. Afirmou que em suas propriedades rurais, em Dourados, situada num raio de 10 quilômetros em linha reta da usina Monte Verde, e em Maracaju, próxima da Usina Vista Alegre, os danos provocados pela mosca são nitidamente visíveis.
“Se você andar com o vidro do carro aberto, por 10 minutos, tem que sair do carro porque não aguenta os mosquitos que atacam orelha, pescoço, mãos. Os próprios peões não suportam as feridas. Agora imagine os animais que sofrem o ataque violento durante o dia”, exemplificou, comentando os danos causados também aos seres humanos. Segundo o parlamentar, é a Embrapa de Gado e Corte que tem de apontar uma solução para que, posteriormente, a sugestão seja levada para o governo do Estado. “O governador e a secretária de Produção se comprometeram com o caso. A Embrapa tem dado atenção, mas não tem atuado com a rapidez que o problema exige”, criticou. CPI - Durante seu discurso na tribuna, Rigo comentou que o presidente da Assembléia, Jerson Domingos, chegou a sugerir uma possível criação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a atuação das usinas de álcool no Estado. No entanto, o primeiro-secretário pediu um prazo de dez dias para encontrar solução, em parceria com o governo do Estado e Famasul. “Mas se os representantes das usinas não tomarem providência, em dez dias, serei o primeiro a assinar a CPI”, emendou.
Curioso
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01/09/2010 11h12
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Antes a mosca se alimentava somente de sangue, depois já passou a consumir vinhoto...quem entende...um absurdo isso, nunca vão conseguir acabar com este inseto...certamente gastaram um monte de dinheiro em vão...no brasil é assim mesmo...Ah, os prejuízos causados na pecuária, são pequenos , uma vez que estes insetos apenas se intalam nas feridas se houver alguma lesão prévia...