Coligação protocola ação pedindo cassação de candidatura de Dilma no TSE
Da redação/agencias/PCS
A coligação “O Brasil pode
mais”, do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, protocolou nesta
quarta-feira (1º) no Tribunal Superior Eleitoral ação contra a adversária do
PT, Dilma Rousseff, por causa da quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do
PSDB, Eduardo Jorge e de outras pessoas ligadas à legenda, inclusive a filha do
candidato tucano, Verônica Serra.
Na ação, a coligação de
Serra pede que a Justiça Eleitoral apure a prática de abuso de poder político e
uso da máquina pública por parte da campanha da petista.
Segundo o advogado da
campanha de José Serra, Eduardo Alckmin, caso a Justiça Eleitoral entenda que
houve abuso, pode aplicar pena de inelegibilidade e até de cassação de registro
da candidatura de Dilma Rousseff. A ação contra a candidata petista foi
encaminhada ao corregedor-geral eleitoral, ministro Aldir Passarinho Junior.
A coligação tucana pediu a
abertura de uma investigação dentro da Justiça Eleitoral, que deve ser feita
com base em depoimentos de testemunhas e juntada de documentos. A coligação
requer decisão liminar do TSE pedindo o encaminhamento à Justiça Eleitoral das
investigações que estão sendo feitas pela Polícia Federal e do processo
administrativo da Receita que apura as violações de sigilo. Também pede que
computadores da Receita sejam periciados por técnicos indicados pela Justiça
Eleitoral.
"Se
houve falsificação ou não, é trabalho da polícia. Não vamos ficar dando
explicações ao que não nos cabe. Não temos nada a ver com essa história de
falsificação nem de vazamento. Quero que o candidato Serra e a oposição provem
o que estão dizendo, que temos relação com isso"
José
Eduardo Dutra, presidente do PT
Em entrevista ao Jornal do
SBT nesta quarta, Dilma afirmou ser "leviana" a acusação, feita por
Serra, de que sua campanha tem ligação com a violação. Ela disse ser "a
maior interessada" na investigação.
“Eu não entendo as razões,
aliás, algumas eu até entendo, que levam o candidato da oposição a levantar
contra a minha campanha uma acusação tão leviana, uma acusação que não tem
provas, nem fundamento. Nós temos de ter clareza. Isso aconteceu em setembro de
2009. Em setembro de 2009 minha campanha não existia porque eu nem
pré-candidata era. Eu acho interessante e julgo que é muito importante que
nessa eleição a gente tenha cuidado com leviandades e calúnias”, disse Dilma.
Também nesta quarta, o
presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, negou que o PT e integrantes da
campanha de Dilma tenham envolvimento com o vazamento dos dados sigilosos de
Veronica Serra, filha do candidata tucano à Presidência, José Serra.
“Se houve falsificação ou
não, é trabalho da polícia. Não vamos ficar dando explicações ao que não nos
cabe. Não temos nada a ver com essa história de falsificação nem de vazamento.
Quero que o candidato Serra e a oposição provem o que estão dizendo, que temos
relação com isso”, disse o presidente nacional do PT.
Além dos pedidos de
informações, a defesa de Serra juntou à ação reportagens de jornais que
denunciaram a quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB e o depoimento do
delegado Onézimo Sousa, no dia 17 de junho, na Comissão de Controle de
Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional.
Na representação são citados
Dilma Rousseff, o ex-coordenador de campanha petista e candidato ao Senador por
Minas Gerais, Fernando Pimentel, os jornalistas Amaury Ribeiro Junior e Luiz
Lanzetta, além do secretário-geral da Receita, Otacílio Cartaxo, e o corregedor
do órgão, Antonio Carlos Costa D Ávila.
Todos foram citados em
reportagem da revista "Veja" sobre a produção de um suposto dossiê
contra José Serra. Quando o caso veio à tona, todos os envolvidos deram versões
contraditórias sobre o caso ou negaram envolvimento com a produção de um
dossiê, à exceção de Onézimo, que afirmouter
sido procurado para levantar informações sobre o tucano.
"Todos
os fatos parecem indicar a montagem de um dossiê que pretendia denunciar
pessoas ligadas ao governo do PSDB"
Eduardo
Alckimin, advogado da campanha de José Serra
Investigação “para
esconder”
Depois de protocolar a ação
contra Dilma, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que a Receita Federal não
é confiável para apurar os responsáveis pelo vazamento dos dados fiscais dos
tucanos.
“A Receita Federal está aparelhada,
por isso não tem autoridade política, moral e administrativa para realizar
qualquer investigação.A investigação da Receita não é para revelar, é para
esconder. A Receita está escondendo fatos, sonegando informações para acobertar
os principais responsáveis, porque a Receita faz parte desse aparelhamento do
Estado brasileiro”, disse.
Para o senador Alvaro Dias,
não há dúvidas de que há intenção eleitoral na quebra do sigilo fiscal de
pessoas ligadas ao PSDB. “Essa espionagem se deu para abastecer uma central de
dossiês, recentemente desmontada, com o objetivo de alvejar e intimidar os
adversários na expectativa de um enfrentamento mais exacerbado na campanha
eleitoral”, afirmou o senador tucano.
Entenda o caso
Reportagem publicada pelo
jornal “Folha de S.Paulo” em 19 de junho deste ano afirma que teriam saído dos
sistemas da Receita Federal dados fiscais sigilosos do vice-presidente
executivo do PSDB, Eduardo Jorge, destinados à montagem de um suposto dossiê
contra o presidenciável tucano José Serra.
Posteriormente, revelou-se
que, em 8 de outubro de 2009, além de Eduardo Jorge, também tiveram o sigilo
quebrado irregularmente o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, o
ex-diretor da Previ Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado, primo
de Serra.
O secretário nacional da
Receita Federal, Otacílio Cartaxo, foi convocado a prestar esclarecimentos na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. No dia 14 de julho, em
depoimento à CCJ, ele disse uma “apuração especial” identificou acessos feitos
por alguns funcionários a declarações de Imposto de Renda de Eduardo Jorge.
Essas informações, segundo afirmou, foram encaminhadas para a Corregedoria da
Receita e abriu-se um processo administrativo disciplinar para investigar o
caso.
No dia 21 de julho, a
Receita informou que investigava a servidora Antonia Aparecida Rodrigues dos
Santos Neves Silva, uma analista locada em Santo André, na região
metropolitana de São Paulo, como suspeita de quebrar o sigilo dos tucanos.
Em 24 de agosto, a Justiça
Federal autorizou Eduardo Jorge a ter acesso às investigações da Receita
Federal.
Segundo os dados da
investigação, os acessos às declarações de renda dos tucanos ocorreram no dia 8
de outubro de 2009, entre 12h27 e 12h43. O terminal usado foi o da servidora
Adeilda Ferreira Leão dos Santos. A senha era de Antonia Aparecida Rodrigues
dos Santos Neves Silva. Em depoimento à Corregedoria da Receita, as duas
funcionárias negam envolvimento na quebra de sigilo.
No dia 27 de agosto, o
corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos Costa D”Avila, afirmou que
o trabalho do órgão na apuração do caso identificou indícios da existência de
um “balcão de compra e venda” de informações da Receita.
O Ministério Público Federal
no Distrito Federal (MPF-DF) recebeu no dia 30 de agosto representação da Corregedoria
da Receita Federal com os resultados da investigação interna sobre a quebra de
sigilo fiscal de Eduardo Jorge.
Nesta terça-feira (31), o
site do jornal "O Estado de S. Paulo" informou que o sigilo fiscal de
Verônica Serra tinha sido violado, a exemplo do que aconteceu com Eduardo
Jorge, e outras três pessoas ligadas ao partido. A assessoria da Receita
Federal informou que o acesso aos dados fiscais de Verônica Serra foi feito a
pedido da própria contribuinte. A assessoria de Serra negou que a filha do
candidato tenha solicitado a quebra do sigilo à Receita.
O secretário da Receita
Federal, Otacílio Cartaxo, afirmou quarta-feira (1) que, diante do não
reconhecimento por Verônica Serra da assinatura do documento entregue para
obter suas declarações de renda e da afirmação do cartório de que não houve
reconhecimento da firma no local, o caso foi encaminhado ao Ministério Público
Federal.