Falta de vagas deixa adolescentes da Unei "sem destino"
CGNews/LD
Após três horas de reunião, membros do Ministério Público
Estadual, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e da Defensoria
Pública passaram a limpo a situação da Unidade Educacional de Internação Dom
Bosco, provisoriamente na Colônia Penal Agrícola e que está desde a noite de
ontem em rebelião.
Com parte da Colônia Penal Agrícola destruída, os adolescentes estão em regime
disciplinar diferenciado e alojados provisoriamente onde são realizadas
oficinas educativas. Policiais do Cigcoe (Companhia Independente de
Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) mantém a situação sob controle.
De acordo com a promotora da vara da Infância e da Juventude, Katy Braun do
Prado, o Estado está com “enormes dificuldades” em alojar os 78 adolescentes do
Unei Dom Bosco. Não há vagas em nenhum estabelecimento da Capital ou do
Interior.
“A unidade onde os adolescentes estão não está preparada para recebê-los. Por
isso foi muito fácil para eles depredarem o local. Neste momento todos estão
rebelados e em regime especial, porém desalojados. Eles precisam ser alojados
em local adequado o mais rápido possível”, explica a promotora.
A situação, porém, não deve ser resolvida de forma tão rápida. Segundo a
promotora e o diretor da Unei, Cristian Jovito Lefevbre, os adolescentes devem
permanecer na Colônia Penal pelo menos durante o fim de semana, o que
compromete as visitas. “Não tem como piorar. A falta de visitas não será capaz
de piorar uma situação que já é caótica”, acredita o diretor.
Representantes do Ministério Público, da Sejusp e do Conselho Estadual dos
Direitos Humanos realizarão visitas no local. Porém, enquanto o clima de rebelião
permanecer, policiais do Cigcoe continuarão a fazer a segurança da Colônia
Penal.
Com relação a transferências, a promotora Katy Braun Prado afirma que é uma
decisão específica do Poder Executivo. “Nosso papel é lembrar a respeito dos
direitos dos adolescentes. A transferência para um alojamento em condições de
recebê-los é uma responsabilidade do Estado”, afirmou.
O superintendente de Medidas Sócio-Educativas, coronel Hilton Vilassanti, disse
esta manhã que os adolescentes serão retirados da Colônia Penal, mas ainda não
foi decidido o destinos dos internos.
Os adolescentes estão na Colônia desde o fim de julho, quando o juiz Danilo
Burin, da Vara de Infância e Adolescência da Capital, determinou a
transferência para que a unidade original, localizada na BR-262, fosse
reformada em função da situação de penúria.
“Nunca houve reparos naquele prédio, daí a situação complicou. Se não
tivéssemos tomado medidas, quem sabe onde ia parar”, explicou na ocasião.