Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010         17h43        127
Presidente paraguaio Fernando Lugo recebe alta após quimioterapia
Folha/LD

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, deixou nesta sexta-feira uma clínica particular de Assunção depois de se submeter por cerca de nove horas a uma sessão de quimioterapia para tratar um câncer linfático.

Lugo, que na próxima semana deverá limitar suas atividades para cuidar de sua saúde, recebeu alta da clínica Migone depois do tratamento, em que foram ministrados medicamentos via intravenosa e que transcorreu sem complicações, disse a jornalistas o hematologista Alfredo Boccia, que faz parte da equipe de médicos que o atende.

"Fez brincadeiras com a equipe que o atendeu e foi embora de muito bom humor", disse Boccia.

Lugo, de 59 anos, foi recentemente diagnosticado com linfoma não-Hodgkin com envolvimento ósseo, um tipo de câncer que compromete o sistema linfático, e teve a primeira sessão de quimioterapia no Brasil, para onde viajou em meados de agosto para confirmar o diagnóstico.

Está previsto que o presidente, que perderá o cabelo e provavelmente emagrecerá como consequência do tratamento, vai permanecer o resto do dia na residência presidencial e descansará no fim de semana para depois retomar a agenda na segunda-feira.

A doença repentina de Lugo despertou temores pela possibilidade de que ele não possa concluir seu mandato de cinco anos até 2013, apesar de o próprio presidente e seus colaboradores assegurarem que o tratamento não interferirá em suas funções de Estado e que a doença é altamente curável.

O presidente tem ainda outras quatro sessões de quimioterapia que serão administradas a cada três semanas e deve viajar novamente a São Paulo para um controle em aproximadamente um mês.

Ex-bispo católico de 59 anos de idade, Lugo está há dois anos na Presidência de um dos países mais pobres da América do Sul, quarto maior exportador mundial de soja e importante fornecedor de carne bovina aos países da região.

Sua gestão foi marcada pelos escândalos de paternidade em que se viu envolvido depois de reconhecer um filho concebido quando ainda era sacerdote e por conflitos com o Congresso, dominado pela oposição, e com seu vice, Federico Franco, primeiro na linha de sucessão.

O presidente socialista, que levou adiante programas sociais de combate à pobreza e assumiu a luta contra a corrupção arraigada nas instituições estatais, enfrentou queixas também por problemas de segurança, a principal preocupação dos paraguaios.

 

 

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