O
candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, defendeu hoje, em evento
com educadores das redes de ensino municipal e estadual em São Paulo, que o Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem) precisa ser remodelado. O tucano acusou o
governo Luiz Inácio Lula da Silva de fazer uso político do sistema de
avaliação. A crítica foi feita em referência ao episódio do vazamento de dados
pessoais de estudantes inscritos no exame. O site do Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) disponibilizou de maneira indevida
essas informações, em agosto deste ano.
"A
utilização política propagandista acabou arruinando o Enem, acabou fazendo com
que o Enem vire um problema para os jovens que tiveram os seus dados
devassados. Já não se fala nem no uso eleitoral disso, de correspondência
enviada com os dados cadastrais do Enem", acusou.
Na
opinião de Serra, o Ministério da Educação (MEC) teria sido negligente em
relação ao sigilo do cadastro dos estudantes. "O governo foi frouxo nesse
trabalho", criticou. Durante o evento, o candidato do PSDB defendeu a manutenção
do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a criação do ProTec, bolsas de
estudos para estudantes do ensino técnico.
O
candidato criticou também a suposta queda do número de estudantes formados
pelas escolas públicas federais. "Tem que ter um planejamento nessa
área", defendeu. O candidato pregou ainda a educação como prioridade de
seu governo e disse que é preciso fazer uma união nacional pela educação,
"acima dos interesses partidários". "Temos de fazer um grande
mutirão pela melhoria da qualidade da educação no Brasil".
Questionado
sobre se já havia escolhido o seu ministro da Educação, já que Paulo Renato
Souza - ex-ministro da pasta e atual secretário da Educação em São Paulo - estava
presente no evento, Serra desconversou. "Não está escolhido. O ministro da
Educação vai ter de trabalhar muito", disse. "Primeiro, ganhar a
eleição, nada de salto alto", completou.