Terminou
em tumulto a visita do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, a uma missa
na festa de São Francisco, em Canindé, interior do Ceará, na tarde de ontem,
sábado. A festa é o maior evento religioso da cidade.
Havia
militantes com bandeiras do PT e de Serra. No final da missa, houve corre-corre
e o tucano chegou a ser empurrado, mas não se feriu.
Os
ânimos foram inflamados por declarações do frade que celebrou a missa, cujo
nome não foi informado.
Ele
reclamou da chegada de Serra quando a cerimônia já estava em andamento e
declarou, na presença do tucano, que a igreja não autoriza a divulgação de
panfletos associando a presidenciável petista Dilma Rousseff à defesa do
aborto.
"PROFANAÇÃO"
Quando
chegou ao local da festa, Serra foi vaiado por cerca de cem militantes petistas
que, segundo a Guarda Municipal, faziam um bandeiraço em frente à catedral.
Ao
entrar na missa, em um galpão atrás da catedral, Serra e comitiva sentaram nas
primeiras fileiras, provocando uma pequena confusão, o que irritou o frade.
"Gostaria
que a missa não fosse tumultuada com os políticos que aqui chegaram, por
favor", disse ele.
Durante
a missa, o frade disse que não se referia a "A" ou a "B",
mas àqueles que estavam conversando. "Se vieram com outra intenção, peço
que saiam assim como entraram", disse. "Isso é uma profanação",
afirmou.
Perto
do fim da missa, o frade exibiu um panfleto que, segundo ele, atacava Dilma.
"Acusam a candidata do PT em nome da igreja. Não é verdade", disse o
frade.
O plateia aplaudiu. "Não está autorizada essa coisa. A igreja não está
autorizando essas coisas", repetiu ele.
No
final da missa começaram a chegar ao local militantes com bandeiras de Serra e
foi quando houve o tumulto com a militância petista. Serra não quis comentar as
declarações do frade.
O
senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que acompanhou a missa, se exaltou e
afirmou que era um "padre petista" como aquele que estava
"causando problemas à igreja".
Seguranças
da igreja não permitiram que a imprensa se aproximasse do religioso.
"TENHO UMA MOLA"
Antes
da missa, Serra havia se reunido com políticos locais. "Tenho sofrido
nesta campanha ataques, mentiras de profissionais da mentira que nunca imaginei
na minha vida", discursou, sem explicar ao que se referia.
"Não
fosse a minha vida, meu testemunho que sempre dei de correção na vida pública,
eu ficaria abalado. No caso, agora, faço o contrário. Tenho uma mola. No
momento que batem, eu subo."