Integrante
do comando da campanha da petista Dilma Rousseff, o deputado estadual Rui
Falcão (PT-SP) foi acusado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. de furtar o
dossiê com dados fiscais violados de tucanos e familiares do presidenciável
José Serra. Amaury foi quem encomendou e pagou diretamente pela violação de
sigilo.
Segundo Amaury, em depoimento à Polícia Federal, Rui Falcão
"copiou" o conteúdo de sua investigação contra os tucanos, então
armazenado num computador pessoal que estava num flat pago pelo próprio PT para
Amaury ficar em Brasília. "Pois somente ele (Rui Falcão) tinha a chave do
citado apartamento", disse o jornalista.
As quebras de sigilo realizadas
na Receita Federal ocorreram em outubro do ano passado. Nesse período, Amaury
preparava sua saída do jornal Estado de Minas, alegando problemas pessoais.
Em abril deste ano, o jornalista foi convidado pelo empresário Luiz
Lanzetta para trabalhar na pré-campanha de Dilma. Lanzetta cuidava, então, de
montar um "núcleo de inteligência" dentro da campanha petista. Na
passagem pela capital, Amaury hospedou-se em um flat no apart-hotel Meliá.
Bunker.
Na descrição que deu à polícia, o imóvel pertence a um homem identificado
apenas como "Jorge", que segundo Amaury lhe foi apresentado como
"responsável pela administração dos gastos da casa do Lago Sul",
bunker da campanha de Dilma.
Já
em negociação com o grupo petista, Amaury levou para o apartamento um laptop
com suas "apurações" - na verdade os documentos fiscais sigilosos da
filha e do genro de Serra e de líderes do PSDB.
Na
pré-campanha de Dilma, Rui Falcão era um dos mais atuantes articuladores, e
àquela altura disputava com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel o
comando da comunicação do partido.