Embora
não seja impossível, as chances de virada no segundo turno da eleição
presidencial são muito pequenas, segundo indica a análise de pesquisas de
intenção de voto e dos resultados das eleições anteriores. Desde quando o
segundo turno foi instaurado no país, em 1988, o Brasil ainda não viu a vitória
de um candidato que começou atrás do adversário nesta etapa da disputa.
Entre
1989 e 2006, apenas duas das cinco disputas presidenciais foram para o segundo
turno. Nas outras três eleições que tiveram 2º turno - em 1989, 2002 e 2006 –,
não ocorreu virada.
Nos
três casos, o candidato derrotado começou a campanha no segundo turno já em
desvantagem em relação ao vencedor. Foi o que ocorreu com o atual presidente e
à época candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, quando disputou o segundo
turno com o então rival Fernando Collor. Na ocasião, a última pesquisa do
instituto Datafolha mostrou o petista com 44% das intenções de voto, contra 47%
do rival, que acabou vencendo a disputa.
Já
em 2002 e 2006, quando Lula disputou a eleição com os tucanos José Serra e
Geraldo Alckmin, respectivamente, o petista – que acabou saindo vitorioso das
duas eleições – ganhou no primeiro turno à frente dos rivais. Na disputa com
Serra, pesquisa Datafolha feita na véspera do segundo turno mostrou que Lula
teria 64% dos votos válidos (excluindo brancos e nulos), contra 36% de Serra.
Na
eleição seguinte, o mesmo instituto mostrava Lula com 61% da preferência do
eleitorado a um dia da votação, enquanto Alckmin atingia 39% das intenções de
voto.
De
acordo com o cientista político Cláudio Couto, da FGV (Fundação Getúlio
Vargas), a análise das pesquisas e dos resultados das eleições aponta que a
ocorrência de viradas é inferior a 10%, embora o percentual exato seja
incerto.
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Pela apuração, é realmente um evento raro a virada do primeiro para o segundo
turno. Por exemplo, o Mário Covas virou sobre o Paulo Maluf em São Paulo [na eleição de
1998, quando os dois disputavam o governo estadual], mas o habitual é não haver
virada. E eu diria que a tendência desse ano é a mesma.
No
primeiro turno da eleição de 2010,
a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, terminou
à frente, após receber 46,91% dos votos válidos, contra 32,61% de José Serra
(PSDB), e 19,33% de Marina Silva (PV).
Uma
semana depois da votação, pesquisa Datafolha mostrou que a petista se manteve
na liderança, com 54% das intenções de voto (votos válidos), contra 46% de
Serra. Já na última sexta-feira (22), a candidata ampliou a vantagem na
sondagem e obteve 56% da preferência do eleitorado, também considerando apenas
os votos válidos, enquanto o adversário obteve 44% (a margem de erro é de dois
pontos percentuais, para mais ou para menos).
Segundo
o especialista, casos de viradas estaduais são mais comuns que no cenário
nacional, devido ao número de Estados, ou seja, a quantidade de cenários aumenta
as chances de mudança no rumo da disputa.
Já
na disputa nacional, embora Serra tenha ganhado certo “fôlego” com os votos da
concorrente do PV - que decidiu ficar neutra no segundo turno –, o especialista
avalia que são poucas as chances de virada, especialmente a uma semana da
eleição.
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Quando se olham os números com mais atenção, é possível notar que ele subiu o
que se previa que ele subiria com os eleitores da Marina. Ou seja, não era
nenhuma subida anormal. O que houve de novidade no primeiro momento do segundo
turno, mais que a subida do Serra, foi a queda da Dilma, que conseguiu se
recuperar na reta final.
Peso
dos indecisos
Ainda
segundo a pesquisa mais recente da disputa pelo governo federal, 6% dos
eleitores responderam que ainda não sabem em quem votar. Apesar do número
relativamente alto – representa cerca de oito milhões de eleitores –, Couto diz
acreditar que esse percentual do eleitorado não será capaz de reverter o
resultado previsto pelos institutos.
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Os indecisos tendem a se distribuir de forma mais ou menos proporcional entre
os candidatos. [...] Se nada de anormal acontecer até o dia da eleição,
honestamente, não há razão nenhuma para a gente imaginar que os eleitores iriam
100% para o Serra. E mesmo que fossem [votar em Serra], o que não é muito
realista, mesmo assim o Serra não reverteria o quadro.
O
segundo turno das eleições presidenciais acontece no próximo domingo (31),
quando mais de 135 milhões de eleitores voltam às urnas em todo o país. A
votação acontece das 8h às 17h (horário de Brasília), porém, os primeiros
resultados da disputa presidencial só devem começar a ser divulgados pela
Justiça Federal a partir das 19h, devido à diferença de fuso no território
nacional.