No
penúltimo debate do segundo turno da eleição presidencial, Dilma Rousseff (PT)
e José Serra (PSDB) elevaram o tom das críticas e se acusaram mutuamente de
mentir e acobertar casos de corrupção.
Ao
falar sobre o programa federal de expansão da banda larga de internet, Serra
lembrou que o projeto era de responsabilidade da ex-ministra da Casa Civil
Erenice Guerra, “que hoje (ontem) prestou depoimento na Polícia Federal”.
Foi
a primeira referência ao escândalo que derrubou a sucessora de Dilma na Casa
Civil. Suspeita de tráfico de influência, Erenice é alvo de inquérito na PF.
Dilma retrucou que, enquanto Erenice prestava depoimento à PF, ninguém
investigava o ex-diretor da Dersa (estatal paulista do setor rodoviário) Paulo
Vieira de Souza, ligado ao PSDB.
A
candidata do PT voltou a apontar Souza, conhecido como Paulo Preto, como pivô
de supostos desvios. Segundo a revista IstoÉ, tucanos o acusaram de recolher
recursos para a campanha de Serra e de não repassá-los para os cofres tucanos.
“Quando
ele ameaça, vocês recuam”, afirmou Dilma, em referência ao fato de Serra, em um
primeiro momento, negar conhecer Paulo Preto, e a seguir sair em sua defesa.
No
debate, o tucano reiterou que nunca conheceu o ex-diretor da Dersa pelo apelido
de Paulo Preto, que qualificou como “preconceituoso e racista”. Afirmou ainda
que o desvio de recursos da campanha não existiu e, se tivesse ocorrido, seria
vítima disso. “Vocês inventaram isso”, atacou.
Setor elétrico. No contra-ataque, Serra acusou Dilma de ter “como braço
direito um sujeito que já deu vários golpes”. Foi uma referência a Valter
Cardeal, assessor de Dilma no Ministério de Minas e Energia, que é acusado por
um banco alemão de ter conhecimento de fraudes em um projeto de financiamento
de uma usina no Brasil.
O
caso foi exposto recentemente em reportagem da revista Época. Na ocasião, Dilma
saiu em defesa de Cardeal e disse que o banco, que foi prejudicado ao liberar
recursos com base em garantiras falsas de uma empresa estatal, tem interesses
em envolver autoridades brasileiras no escândalo para elevar suas chances de
reaver os prejuízos.
Petróleo. A destinação que deve ser dada pelo futuro governo ao petróleo do
pré-sal foi outro item que provocou ataques acalorados. O candidato do PSDB
afirmou que o PT o acusa de querer “privatizar” o pré-sal, mas se utilizou do
modelo de concessões vigentes desde o governo Fernando Henrique Cardoso para
ceder áreas de exploração para 108 empresas privadas.
Dilma,
nesse momento, acusou Serra de procurar confundir os telespectadores.
“Considero que você está fazendo uma deliberada enrolação.” Ela afirmou que,
após a descoberta do pré-sal, o modelo de exploração foi alterado justamente
para impedir que empresas estrangeiras ficassem com o “bilhete premiado” da
nova reserva de óleo.
Logo
no início do programa, exibido pela TV Record, Dilma assumiu a ofensiva ao
criticar uma resposta de Serra a respeito do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). “Você está enrolando”, atacou a petista, que, dessa vez,
evitou acusar o adversário de “tergiversar” - termo utilizado por ela em
debates anteriores.
A
candidata do PT também cobrou de Serra a retirada de uma ação direta de
inconstitucionalidade impetrada pelo DEM contra o Prouni, programa de
distribuição de bolsas para estudantes pobres.
O
DEM é o partido do vice de Serra, deputado Índio da Costa (RJ). O tucano negou
que a ação tenha essa intenção e se comprometeu a manter e a ampliar o Prouni.
Embate
JOSÉ SERRA (PSDB)
“Ela inventa, fábula, porque não tem como me atingir pela retidão da minha vida
pública. Ela fica criando fantasias com o único propósito de enganar as pessoas
do ponto de vista eleitoral”
DILMA ROUSSEFF (PT)
“Não estou dizendo que você mente, estou dizendo que você é muito
mal-informado. Você diz que pensa por si só, então está no partido errado”