Dilma
Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram a troca de acusações diretas no
debate da TV Globo, último encontro entre os presidenciáveis. Os candidatos se
ignoraram e apenas fizeram críticas indiretas.
O
tom do encontro foi o da apresentação de propostas, muitas delas já feitas
durante a campanha e nos outros nove debates que aconteceram.
O
debate teve três blocos com perguntas feitas por eleitores indecisos. Cada
candidato respondia a uma pergunta de um eleitor indeciso com réplica e
tréplica entre Dilma e Serra.
No
terceiro bloco, Serra falou no aumento da arrecadação de impostos. Sem citar o
governo Fernando Henrique Cardoso, Dilma respondeu que hoje a economia cresce
mais e que antes era quase zero.
"Você
arrecada mais porque as pessoas consumiram mais, tiveram mais renda e lucraram
mais", disse a petista.
Ao
falar de educação, ela também deu uma cutucada no governo anterior. "Não
sei se você sabe, mas estava proibido fazer escola técnica pelo governo
federal."
Nas
considerações finais, a petista disse que não guarda mágoas dos ataques que
sofreu.
"Nessa
campanha em alguns momentos eu fiquei muito triste das calúnias que
sofri."
Serra
também fez críticas indiretas ao governo Lula e à política econômica, ao
defender uma economia mais forte. "O Brasil é um dos países do mundo com
menos investimento. Inclusive menos que no passado."
O
momento de maior descontração foi um quase bate boca entre Dilma e o mediador
Willian Bonner por conta de um erro no relógio que marcava o tempo.
INDIRETAS
O
primeiro bloco foi o mais quente. "O exemplo tem que vim de cima. O chefe
de governo tem que começar dando exemplo escolhendo bem as equipes e punindo
quando há alguma irregularidade", afirmou o tucano, ao ser questionado
sobre a corrupção.
Ele
ainda falou dos ataques aos órgãos de controle como o TCU (Tribunal de Contas
da União), criticado diversas vezes por Lula.
Serra
citou o caso dos aloprados do PT nas eleições de 2006. "Tem casos que
estão insepultos que não foram feitos nada", disse.
"A
corrupção no Brasil chegou a níveis insuportáveis", completou.
Também
no primeiro bloco, Dilma citou o escândalo dos Sanguessugas de 2006. "Foi
na área da saúde, tanto é que chamou de sanguessugas", disse.
Ela
defendeu o trabalho da Polícia Federal durante o governo Lula. Segundo ela,
foram presos pela primeira vez governadores e grandes empresários.
"O
importante é investigar e punir. Doa a quem doer", afirmou a petista, que
ainda tratou da Controladoria Geral da União.
Ela
criticou o governo Fernando Henrique Cardoso. "É importante que não haja o
engavetador -geral da República", afirmou a candidata em referência ao
apelido do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, durante o mandato
de FHC.
Por
diversas vezes, Dilma soltou frases do tipo "muito importante essa
pergunta".
TOM AMENO
No
segundo bloco, Dilma e Serra sustentaram um tom ameno.
Na
pergunta mais dura do debate, a eleitora indecisa disse que ambos mostram uma
saúde de qualidade no programa eleitoral, e afirmou que, no entanto, a população
é "tratada como lixo" e "sofre como animais" nas filas de
hospitais.
O
tucano afirmou que o governo encolheu "em seis ou sete" pontos
percentuais as verbas para a saúde. A candidata petista disse que o Brasil tem
"um problema sério de qualidade da saúde".
"Se
a gente não reconhecer, não melhora", disse Dilma, que disse assumir um
compromisso de jogar o "peso" do governo federal na qualidade da
prestação dos recursos para Estados e Municípios.
Os
dois candidatos voltaram a propor a criação de policlínicas especializadas.
Quando
o tema foi a educação, Serra também cutucou o governo federal, quando afirmou
que "muitos Estados e municípios não estão pagando nem o piso" para
os professores da rede pública porque o "governo federal havia se
comprometido a pagar a diferença e não está pagando".
O
presidenciável tucano voltou a propor um pacto nacional pela educação,
"acima das disputas políticas e eleitorais".
"Temos
que ter um entendimento que passe por cima dos partidos, de sindicatos",
afirmou.
Dilma
também insistiu na valorização salarial e na formação continuada dos
professores. Nesta questão, cutucou o tucano, acusado por petistas de tratar
professores com violência.
"Se
não houver pagamento digno para professores, não há como ter qualidade da
educação. Precisa ganhar bem e ter formação continuada. Não se pode tratar
professor com cassetetes ou interromper o diálogo. O diálogo é fundamental no
respeito à essa profissão."