O
Senado da Itália aprovou hoje (18) por unanimidade a moção bipartidária – em
nome dos deputados e senadores - sobre a extradição do ex-ativista político
Cesare Battisti, que é mantido em prisão preventiva no Brasil. A iniciativa
obriga o governo italiano a tomar providências, por meios das vias legais,
inclusive no Tribunal Internacional de Justiça, para obter a extradição.
As
informações são confirmadas pelo Conselho de Ministros do Governo da Itália.
No
último dia 31, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que
Battisti será mantido no Brasil. A decisão foi baseada em parecer da
Advocacia-Geral da União (AGU), feito com base nos termos da Constituição
brasileira, nas convenções internacionais sobre direitos humanos e do tratado
de extradição entre o Brasil e a Itália.
O
caso, porém, deverá ser julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF)
em fevereiro, quando a Corte retorna às atividades. A decisão do governo
brasileiro gerou protestos na Itália e ameaças de estremecimentos nas relações
entre os dois governos.
Ex-dirigente
dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo extremista que atuou na
Itália nas décadas 60 e 70, Battisti, de 52 anos, é acusado de participação em
uma série de crimes, inclusive assassinatos.
O
ex-ativista foi condenado à prisão perpétua à revelia na Itália por quatro
homicídios cometidos pelo PAC entre 1977 e 1979. Ele nega as acusações. Jamais
cumpriu pena no país, deixando a Itália rumo à França e depois ao Brasil. Desde
março de 2007, Battisti está preso preventivamente na Penitenciária da Papuda,
em Brasília.