A
Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) se prepara para monitorar via
internet as chamadas telefônicas fixas e móveis.
O
objetivo, segundo a agência, seria "modernizar" a fiscalização para
exigir das teles o cumprimento das metas de qualidade.
A
agência terá acesso irrestrito a documentos fiscais com os números chamados e
recebidos, data, horário e duração das ligações, além do valor de cada chamada.
Advogados
consultados pela Folha afirmam
que a proposta é ilegal. A Constituição garante a privacidade dos registros
telefônicos. Qualquer exceção deverá ser autorizada pela Justiça.
Dados
cadastrais dos clientes também serão manipulados por funcionários da agência
num prazo de até cinco anos.
Recentemente,
a Receita tentou fazer com que os bancos enviassem semestralmente o extrato de
seus correntistas para impedir possíveis fraudes fiscais. O pedido foi negado
pelo STJ.
Outra
tentativa frustrada foi a do Ministério Público Federal, que queria acesso
irrestrito a dados telefônicos e fiscais sem precisar recorrer à Justiça.
Especialistas
afirmam que não há como a Anatel garantir que essas informações sejam
protegidas, informa reportagem de Julio Wiziack para a Folha desta quarta-feira.