Não há
números oficiais. Mas policiais afirmam que tem crescido a quantidade de crimes
cometidos através da internet. E para chegar até a autoria deles o ideal é ter
uma delegacia específica, afirma especialista. Mato Grosso do Sul é um dos 17
estados onde não há uma delegacia especializada em combater os crimes
cibernéticos.
No
Estado há a Devir (Delegacia Virtual), mas que não atua diretamente no combate
aos crimes cometidos pela internet, apesar de no decreto de criação da unidade
estar previsto este tipo de trabalho. Há situações que são investigadas pela
Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações)
De
acordo com o delegado Matusálem Sotolani, que responde pela assessoria de imprensa
da Polícia Civil, já foi cogitada a criação de uma delegacia específica, no
entanto, conforme ele, ainda não existe alto número de ocorrências. “Ainda são
poucos os praticados pela internet. A demanda ainda não comporta”. Segundo ele,
a instalação depende também de outras questões. “Demanda recursos, pessoal
especializado”.
Matusálem
explica que a Devir atua no suporte a outras unidades e em casos sigilosos,
como por exemplo, que envolvem autoridades. A Devir funciona mais para agilizar
o acesso do cidadão a registro de ocorrências. Pelo site www.devir.pc.ms.gov.br
é possível registrar boletins de furtos simples, extravios e desaparecimento de
pessoas.
Especialista -Diretor do Gabinete de
Inteligência da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e especialista em crimes
cibernéticos, o delegado Emerson Wendt diz que é fundamental a existência de
uma delegacia específica para combater os crimes praticados pela internet,
sendo os mais comuns deles furtos em contas bancárias, fraudes com cartões de
crédito, sites de financiamento de dinheiro sem autorização do Banco Central e
crimes contra a honra (injúria, ameaça) cometidos em redes sociais.
Para
ele, o ideal seria ter ao menos uma delegacia de Polícia em cada estado para
interagir e trabalhar em conjunto no combate aos crimes praticados no ambiente
virtual.
O
delegado diz ainda que o crime organizado também atua na internet e usa a rede
ainda para se comunicar. Para centralizar o combate a esta e a outras situações
é importante haver uma delegacia especializada. “E também para policiais de
outras unidades terem referencial de onde buscar informações e dar
encaminhamentos”, explica Emerson Wendt.
Para que
o crime seja desvendado é preciso dois passos, declara o policial. “O primeiro
passo é a técnica (ordem judicial para chegar até a máquina, por exemplo) e o
segundo é a investigação policial, para se chegar a quem estava sentado na
frente da máquina naquele momento”.
Segundo
Emerson, também são crimes cibernéticos a interceptação de e-mails, violação de
senhas e quebra de sigilos bancários. Conforme ele, “redes não protegidas,
redes abertas, sem controle de uso”, são mais fáceis de serem acessadas por um
criminoso.
À
frente -Possuem
delegacias especializadas de combate a crimes cometidos através da internet:
Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Minas
Gerais, Pará, Mato Grosso e o Distrito Federal.