O
Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a suspensão de todas as liminares
em vigor contra o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) - que seleciona vagas em
universidades federais por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) - e impediu a apresentação de recursos contra decisões judiciais, além
de suspender as decisões que prorrogavam as inscrições no sistema.
A
medida foi tomada na noite de ontem pelo vice-presidente do STJ, ministro Felix
Fischer, a pedido do Ministério da Educação. A decisão também revoga a liminar
concedida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro que permitiu a uma aluna do
Estado ver a sua redação, que havia sido anulada.
"A
Advocacia-Geral da União agiu diante de um cenário em que juízes de primeira
instância estavam tomando decisões incoerentes entre si e tornando qualquer
decisão executiva inviável", afirmou o ministro da Educação, Fernando
Haddad. "Com isso, as inscrições estão mesmo encerradas e podemos dar
sequência às matrículas."
Haddad
convocou a imprensa para falar sobre os problemas que atrapalharam o Sisu, mas
terminou por adiar sua fala por quase duas horas, à espera da decisão do STJ.
Ao
ser perguntado se não haveria possibilidade de recurso ou de os estudantes
terem acesso às provas, dada a quantidade de reclamações sobre falta de notas
ou testes anulados, o ministro disse que pode ser analisada, mas precisa haver
cautela. "A regra que vale para o Enem precisa valer para todos os
processos seletivos. Uma regra usada há 13 anos não pode ser alterada no último
dia de inscrição. Se for uma exigência daqui para frente temos de nos preparar
para isso adequadamente. Mas não acho justo valer para o Enem e não para outros
processos seletivos. O concurso do Ministério Público Federal não prevê recurso
no seu edital. Como ele pode exigir isso de outro órgão?", afirmou. Haddad
disse, ainda, que a insegurança que advém das decisões jurídicas contraditórias
atrapalha o trabalho dos servidores responsáveis pelo exame. "Isso
sobrecarrega nossos servidores e traz tal grau de tensão que eles acabam não
dando a resposta exigida."
Auditoria.
Ao tratar dos problemas que afetaram o Sisu praticamente durante toda a semana,
o ministro afirmou que não houve falta de planejamento e uma auditoria foi
aberta para ver o que aconteceu. A princípio, problemas na configuração de um
dos servidores teriam causado a instabilidade. No auge dos problemas, na
segunda-feira, o MEC chegou a chamar técnicos de outros órgãos do governo para
tentar solucionar a questão.
No
entanto, informações obtidas pelo Estado dão conta de que teria havido sim um
subdimensionamento do sistema, que comportaria, a princípio, menos da metade
dos acessos por minuto que estavam ocorrendo. Na terça-feira à noite, o
ministério teria dobrado a capacidade de acesso, o que resolveu a maior parte
dos problemas.
Muitos
estudantes reclamaram, ao longo da semana, que não conseguiam acessar o
sistema. Além disso, muitos deles afirmaram que receberam nota zero no segundo
dia de provas do Enem, quando também foi feita a redação. O MEC alega que eles
preencheram o cartão de resposta de forma errada. Por essa razão, muitos
obtiveram liminar na Justiça que dava a eles o direito de ver a prova e a
redação corrigidas. Na quinta-feira, a Justiça Federal do Rio determinou que o
prazo de inscrição do Sisu fosse estendido até o dia 26 para alunos do Estado.
Com a decisão do STJ, todas as liminares caíram.
Segundo
o MEC, o total de estudantes cadastrados no Sisu alcançou 1.080.194, gerando
2.020.157 inscrições, já que poderiam escolher mais de um curso e de uma
instituição. Apesar dos problemas, a avaliação do MEC é que o total dos
inscritos alcançou o esperado.