Para
quem acredita que ser geek significa ficar horas na frente do computador sem se
preocupar com a aparência, os modders estão aí para provar que
provavelmente você está certo.
Se, por um lado, a vaidade pessoal não é uma das
qualidades mais notáveis dessa tribo, por outro a atenção especial que dedicam
às máquinas prova que geeks também sabem cuidar da aparência, pelo menos, do
computador.
De
acordo com os campuseiros praticantes da arte e membros do fórum casemodbr.com,
a história do surgimento do modding, que soa bastante como lenda urbana,
data do final da década de 80, quando um americano resolveu colocar
ventiladores para esfriar a CPU. Nascia então a modificação com intenção de
aumentar a eficácia do aparelho. Depois disso, percebendo ter ficado esteticamente
feio, ele fez buracos na caixa do CPU e introduziu pequenos ventiladores na
estrutura da peça. Nascia, então, o modding, modificação com propósito
de embelezar o gabinete.
A
palavra modding, traduzida para o português, significa
"modificação". Na vida de alguns dos milhares de campuseiros da
Campus Party, em São Paulo,
modding é um estilo de vida. A arte é amplamente aplicada em caixas da
CPU do PC, com intenções de melhora de desempenho, mas, principalmente, de
estética. "Modding é dedicado à beleza mesmo, para personalizar a
máquina ie deixá-la ao seu gosto e única", afirmou Raphael Tursi, 25 anos,
de Belo Horizonte.
Dono
de uma empresa de tecnologia na capital mineira, Raphael é uma espécie de modder
humilde, sem grandes exageros, que aplica pequenas modificações. "Existe a
forma mais criativa e a forma simples. Eu faço o simples, que é feito sobre uma
base", disse. Na CPU, ele trocou a tampa lateral por uma de acrílico, que
custa R$ 60, colocou luzes LED azuis, ao preço de R$ 30 cada, e aplicou uma
pintura especial. Ao todo, ele soma um gasto de aproximadamente R$ 400 para
fazer o básico.
O
designer Bruno Garcia, 24 anos, de São Paulo, também não economizou na
modéstia. Com um gasto de R$ 300 reais, ele trouxe ao maior encontro geek do
mundo um modelo simples de casemod, como são chamados os gabinetes
modificados. Ele trocou a lateral de lata por acrílico, colocou novos coolers
por R$ 25 cada, incrementou com lâmpadas de luz negra por R$ 30 cada e aplicou
uma base de tinta preta especial para que o efeito da luz acontecesse. "O
mais caro mesmo foi a tintura, pouco mais de R$ 100. A arte, em si, não é
cara", disse.
Bem
mais extravagante que os colegas, o paulista Omar Majzoub, 23 anos, possui uma
paixão cara: construir casemods temáticos. Sai a simplicidade e entra o
luxo. "Todo ano eu escolho um tema diferente, mantenho o hardware, e troco
toda a caixa", falou. A versão 2011 foi inspirada em Chuck, o Boneco
Assassino. A de 2010 era do seriado de TV Lost. "Este foi todo
criado do zero e custou cerca de R$ 2 mil reais", disse Omar, que também
contou que desenhou o modelo em 3D, ajudou o carpinteiro a montar a caixa onde
seriam colocadas as peças, pintou e montou. O resultado é um grande enfeite
colorido, digno de parques de diversões, que, nem de longe, lembra uma monótona
CPU tradicional.
O
mais impressionante deles, e também o mais caro, foi o casemod feito por
Bruno Carvalho, de 20 anos, que viajou de Aracaju, no Sergipe, até São Paulo
para participar da Campus Party. Bruno contou que, do original, a máquina só
mantém o hardware. O resto é totalmente fruto de uma cabeça maluca, mas muito
criativa. A inspiração foi o personagem Hulk, que carrega nas costas a placa de
vídeo e pisa sobre a carcaça da máquina com o resto da aparelhagem.
"Demorei cerca de três meses, ao todo, para montar essa peça. Ele é feito
de madeira revestida com porcelana fria, que não é cara", falou.
Ao
todo, Bruno estima ter gasto mais de R$ 2,5 mil reais na máquina. "O mais
caro foi o boneco, que custou por volta de R$ 300 reais. Ele era oco e precisou
ser revestido com gesso nas pernas e com borracha de silicone no restante do
corpo", acrescentou, falando que também precisou adaptar a estrutura para
uma versão de viagem, fácil de montar e desmontar.