O
Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA) entrou nesta quinta-feira (27) na
Justiça com uma ação civil pública contra a licença ambiental concedida nesta
quarta-feira para a instalação de canteiro de obras da usina de Belo Monte, no
Pará.
O
procurador Ubiratan Cazetta criticou a liberação. "Uma obra desse porte,
com esses custos sociais não pode ser iniciada repetindo os erros do
passado", disse, de acordo com a assessoria do MPF-PA.
"Até
a emissão da Licença Prévia, onze condicionantes gerais não tinham sido
cumpridas, duas foram realizadas parcialmente e sobre as demais não há qualquer
informação", afirma a ação entregue à Justiça em relação às 40 exigências
ambientais feitas pelo Ibama quando da concessão da licença prévia.
As
atividades liberadas pelo Ibama nesta quarta são para preparar a infraestrutura
necessária para obras principais, que ainda passam por uma análise específica.
Para a construção da usina em si, e para sua entrada em funcionamento, serão
necessárias outras licenças ambientais, informa o instituto.
O
Sistema Informatizado de Licenciamento Ambiental Federal tem a reprodução de um
documento em que o consórcio Norte Energia é autorizado a derrubar 238,1 hectares de
vegetação (2,38 milhões de metros quadrados) para a instalação de um
acampamento, um canteiro industrial e uma área de estoque de madeiras.
Atraso
O
início das obras de Belo Monte está atrasado. A expectativa inicial do governo
era de que a construção tivesse começado no segundo semestre de 2010. O
consórcio Norte Energia, responsável pela obra, tinha preparado aporte de R$
560 milhões para tocar as operações. Quando tiver a licença para o canteiro de
obras, o consórcio poderá dar início à mobilização de seus funcionários.
No
último dia 12, o então presidente do Ibama, Abelardo Bayma pediu para ser
exonerado. O Ministério do Meio Ambiente informou que ele alegou motivos
pessoais para sua saída e havia se comprometido com a ministra Izabella
Teixeira a ficar no cargo até o dia 31 de dezembro do ano passado.
No
entanto, antes de sua saída, Bayma vinha sofrendo pressões de outras áreas do
governo por conta da concessão de licenças ambientais. O recém-empossado
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, criticou o atraso na emissão de
licenças para usinas, especialmente a hidrelétrica de Belo Monte.
"Estávamos
receosos de que houvesse um atraso maior, e isso implicaria em perder um ano na
construção da Usina", disse Lobão no dia 7.