Na congestionada
fila de carros na avenida beira mar, ele reinava sozinho até encontrar pela
frente uma versão conversível do Ford Mustang Shelby preto com faixas brancas.
Na disputa de atenção do público entre o superesportivo alemão versus o ícone norte-americano,
infelizmente, o Audi TTS perdeu. Depois de cruzar a esquina e ganhar uma rua
vazia só para ele, no entanto, o cupê pôde mostrar o porquê de estar na lista
dos carros mais desejados do mundo.
O design é imbatível e, a cada geração, fica mais bonito. Na última
reformulação do TTS, em 2008 (um presente aos fãs do modelo após dez anos do
lançamento da linha TT), a carroceria ficou mais leve e a aparência ganhou a
identidade visual da Audi: uma imponente grade para o radiador e farois
bixenônio com leds. Com eles, seja durante o dia ou à noite, é possível
reconhecer um TT a quilômetros de distância.
Por baixo do longo capô está um motor de 2,0 litros de quatro
cilindros e 272 cv de potência e 35,7 mkgf de torque entre 2.500 e 5.000
rotações por minuto. Para os mais desavisados, é melhor pisar leve na primeira
aceleração, principalmente se for para sair de ré. O motorista leva um susto
com o ronco rouco do escapamento, seguido por um empurrão contra o assento,
provocado pelo turbo do motor. Depois de acostumar com a fera, é só curtir: o
TTS cupê vai de 0 a
100 km/h
em 5,2 segundos e atinge velocidade máxima de 250 km/h. Após os 100 km/h, o conta giros
estaciona nos 3.000 rpm.
A transmissão S-Tronic de seis velocidades oferece trocas manuais por meio das
borboletas atrás do volante (o que deixa as mudanças décimos de segundo mais
rápidas) e possui uma tecnologia que garante ao TTS acelerar sem pedir fôlego.
A dupla embreagem do sistema faz com que a próxima marcha fique pré-engatada.
Com isso, o desempenho é linear, sem engasgo entre as trocas de velocidade.
Ao lado da transmissão, há dois botões que comprovam a esportividade do TTS. O
primeiro deles aciona ou recolhe o aerofólio traseiro. O segundo adapta a
suspensão ao tipo de rodagem: acelerada ou calminha. No primeiro caso, se o
motorista escolher pela suspensão esportiva, o carro gruda no chão feito
chiclete. No segundo, fica mais “macio” – em termos, porque as rodas de aro 18
e os pneus de perfil baixíssimo (245/45) exigem que o motorista tenha cautela
nas vias esburacadas e nas lombadas. A cada obstáculo desses que é
ultrapassado, o condutor sente “dor” junto com a carroceria.
A união das mudanças de marcha por borboletas e da suspensão adaptativa forma
uma dupla perfeita para pegar a serra. Rédeas curtas na mão: controle de
estabilidade, tração integral quattro e quase nenhuma oscilação da carroceria
nas curvas. Resultado: por mais que você fique no limite da velocidade
estipulada pela via, as distâncias se tornam bem mais curtas a bordo do Audi.
Egoísta, o TTS não foi feito para carregar ninguém na parte de trás. Uma pessoa
com 1,65 metro
vai de cabeça baixa, afinal de contas, o carro tem 1,34 metro de altura. No
porta-malas, ao menos, há espaço para carregar a bagagem de um casal: 290 litros de
capacidade. Os bancos possuem forração de couro e Alcântara e formato que
abraça os passageiros da frente.
No painel, o acabamento de couro e alumínio escovado fosco e o volante com
aresta inferior reta dão o tom da esportividade. Na contra-mão, está o
ar-condicionado com controle manual. Para um carro que chega perto dos R$ 300
mil, o equipamento parece um pouco rústico...
Voltando
ao desfile na beira da praia – obviamente, não há o que
discutir. Um Mustang conversível é coisa rara de se ver nas ruas brasileiras,
mesmo diante de um Audi de R$ 281.680 (mais um troquinho de R$ 1.901 para a
pintura metálica). Acredito, porém, que se estivesse ao volante de um TTS
roadster, com a capota abaixada, com certeza, o páreo de exibição entre os dois
seria duro...