A
cada dois dias, um profissional de enfermagem do Estado é acusado de erro
durante atendimento médico. Foram 980 queixas entre 2005 e 2010 (250 delas no
ano passado). Os dados são do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo
(Coren-SP). Em 20 desses casos, a falha resultou na morte do paciente ou em
danos definitivos.
O
balanço foi divulgado ontem, em meio à denúncia de que uma criança de 1 ano
teve parte do dedo mindinho decepada por uma auxiliar de enfermagem do Hospital
do Mandaqui, administrado pelo governo, enquanto retirava um curativo.
A
enfermeira, afastada de suas funções, alega que o acidente foi causado por erro
na forma como o curativo foi feito, segundo seus familiares. A menina deve ser
encaminhada nesta semana para o setor de reimplantes do Hospital das Clínicas,
informou o governo.
O
presidente do Coren, Claudio Alves Porto, não soube dizer quantas denúncias
terminam em punições para os enfermeiros. "Em todos os casos é instaurado
procedimento administrativo. O profissional e a instituição são investigados e
têm direito à defesa. Se comprovada falha na instituição, a denúncia é levada
ao Ministério Público. Se o erro é do profissional, ele é punido." Porto
culpa a escalada de erros de enfermeiros e técnicos e auxiliares de enfermagem
à má formação.
Vaselina.
A Santa Casa demitiu por justa causa a auxiliar de enfermagem que, no ano
passado, aplicou vaselina líquida em vez de soro fisiológico na veia de uma
paciente de 12 anos, que morreu. O erro ocorreu no Hospital São Luiz Gonzaga,
na zona norte.
O desligamento da funcionária foi feito no começo do mês, após o
término da sindicância que apurou o caso. A Santa Casa, responsável pelo
hospital, não quis comentar a saída da profissional, que responde por homicídio
culposo.