O
Egito amanheceu em festa neste sábado (12), no que ficará marcado como a
primeira manhã sem o comando do ex-presidente Hosni Mubarak, que apresentou sua
renúncia na tarde de sexta-feira (11). A madrugada foi repleta de comemorações
pelo fim de 30 anos ditadura no país.
Em
Ismailia, ao norte, multidões ainda celebram a vitória do povo egícpio,
enquanto que em Suez e Cairo, parte da população também segue comemorando nas
ruas e praças que antes eram palco de violência e revolta. Milhares de jovens
permanecerem enrolados em bandeiras do país, exibindo o sentimento de
patriotismo do povo egípcio.
As
três cidades testemunharam alguns dos maiores confrontos entre manifestantes
anti e pró Mubarak nas últimas semanas, assim com enfrentamentos com forças de
segurança. O Exército iniciou nesta manhã a retirada das barricadas formadas
nos arredores da capital Cairo.
Hosni
Mubarak, de 82 anos, renunciou ao cargo nesta sexta-feira (11), após um governo
de quase 30 anos e que era contestado desde 25 de janeiro por grandes
manifestações populares.
Neste
sábado, a China divulgou um comunicado no qual deseja que o Egito recupere sua
estabilidade e ordem social em breve. A Coreia do Sul manifestou neste sábado
que "respeita" a decisão de Hosni Mubarak de renunciar ao cargo de
presidente do Egito, e defendeu eleições "livres e justas" no país.
O
anúncio da renúncia foi feito pelo recém-nomeado vice-presidente do Egito, Omar
Suleiman, em um curto pronunciamento na TV estatal. Mubarak entregou o poder ao
Exército, disse Suleiman, com ar grave.
"O
presidente Mohammed Hosni Mubarak decidiu deixar o cargo de presidente da
república e encarregou o Alto Conselho Militar de cuidar das questões de
Estado", disse Suleiman.
Os
crescentes protestos que derrubaram Mubarak deixaram mais de 300 mortos e 5.000
feridos. Eles começaram em 25 de janeiro, inspirados pela queda do presidente
da Tunísia, e tiveram impulso na internet, que comemorou a queda do ditador.
Espera-se
que a queda do regime Mubarak abale outros governos autoritários do mundo árabe.
Ainda
não havia detalhes sobre como ocorrerá a transferência.
Um
porta-voz disse que o Conselho Militar vai anunciar medidas para uma "fase
de transição" no país, segundo comunicado lido na TV estatal. O conselho
também disse que "não há alternativa à legitimidade do povo".
O
ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, deve ser o chefe do conselho,
segundo fontes militares. Ele passou em frente ao palácio presidencial, no
Cairo, no início da noite desta sexta, saudando a multidão.
O
conselho poderia derrubar o gabinete de ministros de Mubarak, fechar as duas
casas do Parlamento e governar diretamente com a Corte Constitucional, segundo
a TV Al Arabiya.
O
país tem eleições presidenciais marcadas para setembro.
Celebração
A notícia da renúncia, exigida pelos manifestantes, foi imediatamente celebrada
com festa nas ruas do Cairo e das outras grandes cidades do Egito.
Por
volta das 18h locais (14h de Brasília), na lotada Praça Tahrir, que foi o
centro nervoso dos protestos, manifestantes cantavam: “o povo derrubou o
governo”.
Manifestantes
se abraçavam, e algumas pessoas desmaiaram de emoção. O fato de o Exército
participar da transição foi bem recebido pela população nas ruas.
Houve
comemorações em outros países árabes, como a Tunísia, e egípcios celebraram a
notícia até em São Paulo.
Oposição
O oposicionista Muhamed ElBaradei, uma das principais figuras dos protestos,
disse que o Egito "esperou por décadas" por este dia. Ele afirmou esperar
que povo e Exército governem juntos durante o período de transição.
A
Irmandade Muçulmana, principal grupo opositor, parabenizou o povo e o Exército
do Egito pela notícia. Eles celebraram o fato de que o Exército "cumpriu
suas promessas".
O
blogueiro Wael Ghonim, um cibermilitante que passou 12 dias preso e virou ícone
do movimento, escreveu no seu Twitter: "Parabéns ao Egito, o criminoso
deixou o palácio".
Manifestantes
que faziam vigília na Praça Tahrir disseram que, após a festa, voltariam para
casa.
"Nós
podemos finalmente ir para casa!", disse chorando Mohammed Ibhahim, de 38
anos, um dos organizadores dos protestos. "Nós estamos aqui há 18 dias
esperando ele ir embora e conseguimos."
EUA e Europa O
presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a saída de Mubarak é só o começo, e
não o fim do processo de transição no país.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse que respeitava
a decisão de Mubarak e pediu diálogo para a formação de um governo de
"base ampla" no país.
Fora do Cairo
Mubarak havia partido pouco antes para o balneário de Sharm el Sheij, no Mar
Vermelho, a 400 km do Cairo, informou Mohammed Abdellah, porta-voz de seu
partido, o Nacional Democrático.
Ele,
que tem uma residência no balneário, saiu em meio a mais um dia de grandes
protestos de rua.
O
governo da Suíça anunciou que vai congelar os possíveis bens de Mubarak no país,
segundo a chancelaria.
Exército
Mais cedo nesta sexta-feira, o Exército havia soltado nota prometendo levantar
o estado de emergência sob o qual o país vive desde 1981, "assim que as
circunstâncias atuais terminassem", em uma aparente demonstração de apoio
à transição proposta por Mubarak.
Mas
esse comunicado não bastou para que os manifestantes desistissem de marchar.
Em
Al Arish, no Sinai, confronto entre manifestantes e a polícia deixou um morto e
20 feridos.
Última cartada
Na véspera, Mubarak tentou uma última cartada para continuar no poder até a
transição.
Ele
frustrou os manifestantes que esperavam sua renúncia imediata e confirmou, em
discurso na TV, que pretende continuar no governo até setembro, à frente da
transição de poder. Ele também disse que iria transferir poderes ao seu vice.
Sameh
Shoukr, embaixador do Egito nos EUA, explicou que Mubarak transferiu todos os
poderes da presidência para seu vice, mas permanece do chefe de Estado "de
jure" (de direito). O embaixador disse que esta versão lhe foi contada
pelo próprio Suleiman.
A
decisão de Mubarak de ficar durante a transição irritou ainda mais a população
local. Milhares de pessoas passaram a noite na praça Tahrir.
Em
um discurso de tom patriótico, Mubarak afirmou que a transição no Egito em
crise vai ocorrer "dia após dia" até as eleições presidenciais
marcadas para setembro. Ele prometeu proteger a Constituição durante todo o
processo.
Mubarak
disse que propôs emendas aos artigos 76, 77, 88, 93 e 189, e cancelou o 179,
que dava poderes extras ao governo em caso de combate ao terrorismo.
O
presidente afirmou que iria transferir poderes a Suleiman, segundo a
Constituição, mas não esclareceu quando, até que ponto ou de que maneira isso
ocorreria.
Em
discurso posterior ao de Mubarak, Suleiman, -que já vinha liderando as
negociações com a oposição- se comprometeu a tentar fazer "uma transição
pacífica de poder" e pediu que os manifestantes acampados no Cairo voltem
para casa.
“Saídahonrosa”
O
deputado trabalhista israelense Benjamin Ben Eliezer afirmou nesta sexta que
Mubarak comentou com ele, em uma conversa por telefone na noite de
quinta-feira, pouco antes de seu discurso à nação, que estava buscando uma
"saída honrosa".
"Ele
sabe que acabou, que é o fim do caminho. Só me disse uma coisa pouco antes de
seu discurso, que procurava uma saída", afirmou Ben Eliezer à rádio
militar.
Ben
Eliezer, que até recentemente foi ministro do Comércio e da Indústria, é
considerado o dirigente israelense mais próximo de Mubarak, a quem visitou em
várias ocasiões.
Em
1979, o Egito se tornou o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com
Israel, e o país tem apoiado os EUA em seus esforços para tentar encerrar o
conflito entre israelenses e palestinos. Nesta sexta, a Casa Branca pediu ao
novo governo egípcio que respeite a paz com Israel.
Na
semana passada, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou para
o risco de uma revolução islâmica no Egito, inspirada no modelo iraniano, se o
grupo opositor Irmandade Muçulmana eventualmente assumisse o poder.
zanon lamunier
presidente do alto sao pedro |
12/02/2011 13h16
Coxim.na roça.ms |
zanonlamunier@hotmail.com
esse corrupto politico. ja vai tarde!!o povo se uniu. falta isto no Brasil..