Após
duas fugas e duas capturas, a onça-pintada que transformou o Cras (Centro de
Reabilitação de Animais Silvestres) em notícia desde novembro do ano passado
não vai mais ficar na Reserva do Parque dos Poderes em Campo Grande. Foi
o que garantiu esta manhã o diretor de Desenvolvimento do Imasul (Instituto de
Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Roberto Gonçalves.
Segundo
ele, a intenção é que ela fique no máximo mais um mês no Cras. Os sinais no
corpo do animal, recapturado no sábado, confirmam a luta do bicho para voltar a
ficar livre. Ela está com escoriações que, segundo foi informado esta manhã,
sofreu quando tentou novamente escapar da armadilha onde foi recapturada.
O
bicho tem ferimentos no rosto, que teriam ocorrido na segunda fuga, e nas
patas, que seriam fruto da tentativa de escapar da armadilha cavando o chão
O
felino fugiu pela primeira vez no dia 29 de outubro. Recapturada quase dois
meses depois, em dezembro, fugiu novamente no dia 30, reaparecendo agora.
Após
cair em uma das 9 armadilhas montada na Reserva do Parque dos Poderes, a onça
só foi levada de volta ao Cras após ser sedada. Esta manhã, ainda aparentava
estar sob o efeito dos medicamentos aplicados, embora tenha se mostrado
irritada com os flashs das máquinas fotográficas.
De
acordo com o diretor do Imasul, já está decidido que o felino vai deixar o
Cras. Mas o destino ainda é incerto. O felino pode tanto ser solto na natureza,
e passar a ser monitorado com uma coleira, ou ir para um zoológico.
Gonçalves
informou que pelo menos um zoológico, de Foz do Iguaçu (PR), já manifestou
interesse de ter a onça.
Na natureza selvagem?
Quanto
à possibilidade de ela ser solta na natureza, desde que seja monitorada, o
diretor do Imasul informou que o Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e
Conservação de Mamíferos Carnívoros) pode oferecer a coleira. Se for solta na
natureza, o Pantanal ou mesmo o Parque Nacional do Ivinhema são destinos
possíveis.
Gonçalves
informou que antes de qualquer decisão, o animal vai passar por análises,
incluindo exames médicos. Esses exames devem demorar pelo menos 15 dias.
A
decisão sobre o destino da onça, de acordo com o diretor do Imasul, ficará a
cargo do secretário de Meio Ambiente, Carlos Negreiros. *Quanto menos ela ficar
aqui, melhor”, afirmou Gonçalves. Sobre a onça ser solta na natureza, ele disse
que “a possibilidade está sendo avaliada, e que, se for possível, ela vai ser
solta, desde que isso não apresente risco para as pessoas”.
Gonçalvez
comentou a segunda fuga da onça dizendo que não há um culpato. “Qualquer ser
vivo é capaz de surpreender”, resumiu
Perigo
Conforme
o diretor do Imasul, a preocupação mais presente é com o risco que o felino
pode apresentar para as pessoas. Segundo ele, ela já demonstrou que consegue
sobreviver na natureza, tanto que voltou até mais pesada.
Mas
até por ter contato com humanos que normalmente não tem no ambiente natural,
ela pode ser um risco.
O
animal está em uma jaula reforçada, que já foi usada para abrigar um leão. Um
dos médicos veterinários que examinaram a onça, Roberta Martins, diz que ela
está bastante estressada.
Por
isso, durante a presença dos jornalistas no Cras, foi solicitado que se fizesse
o menos possível de barulho. Ao perceber os flashes, a onça deu um rugido.
Depois, chegou a ficar deitada, aparentando ainda estar sob efeito de sedativo.
O
animal ainda é considerado filhote. Quando fugiu da primeira vez, tinha 8 meses
e está para completar o primeiro ano de vida.