O
Tribunal de Contas da União (TCU) condenou nesta sexta-feira, 18, Heliton
Ribeiro Tavares e Dorivan Ferreira Gomes, ex-diretores do Instituto de Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pelo vazamento das
provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2009. Cabe recurso da
decisão.
Heliton,
então Diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, foi condenado a pagar
multa de R$ 5 mil. Dorivan, que era Coordenador-Geral de Exames para
Certificação do Inep, terá que pagar R$ 3 mil aos cofres públicos. Ambos têm 15
dias para depositar a quantia.
O
Inep terá que explicar ao TCU como foi calculado o valor de aproximadamente R$
47 milhões que foram ressarcidos ao Consórcio Connase pelos gastos do Inep na
contratação emergencial para aplicação do segundo Enem, em 2009.
O
TCU escreveu na decisão "A entidade (Inep) falhou na adoção de medidas
mais elementares." Cita os seguintes problemas: ausência de câmeras em
locais estratégicos, falta de pessoal para fiscalizar e conexão à internet e
uso de celular durante manipulação das provas.
Diz
ainda a decisão: "Esclareço, por fim,(...) Há maior severidade com relação
ao Sr. Heliton Ribeiro Tavares, então Diretor de Avaliação da Educação Básica
do Instituto, pela deficiência no acompanhamento do Contrato nº 27/2009 (Com a
Connase) e pelos pagamentos por serviços não prestados, e menor gravidade da
penalidade com referência ao Sr. Dorivan Ferreira Gomes, então executor técnico
do referido contrato e Coordenador-Geral de Exames para Certificação da
entidade, por ter participado apenas da segunda irregularidade que
mencionei."
Vazamento
Na
tarde de 30 de setembro de 2009, o Estado foi
procurado por um homem que dizia ter em mãos a prova do Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem). Um encontro foi marcado no mesmo dia. Dois homens
compareceram e pediram R$ 500 mil por ela.
O
Estado não compra informação. Mas a reportagem folheou o
exame e decorou algumas das questões da prova que seria aplicada nos dias 3 e 4
de outubro. Com as informações, a reportagem procurou o ministro Fernando
Haddad na mesma noite. O cofre onde estava a prova foi aberto em Brasília e,
por volta da 1 hora do dia 1.º de outubro, o MEC confirmou que se tratava do
Enem. O exame, então, foi cancelado pelo ministério.
Os
homens foram identificados como Gregory Camilo e Felipe Pradella, que trabalhou
na gráfica onde a prova foi impressa e é acusado de furtar o caderno de
questões. Camilo é DJ e o ajudou a contatar a imprensa.