O
governo japonês elevou neste sábado para 503 o número de mortos pelo terremoto
de magnitude 8,9 seguido de um tsunami que devastou a região leste do país na
sexta-feira, e estimativas já apontam para mais de 1.000 vítimas. O país ainda
vive a tensão de novos problemas advindos da catástrofe devido ao risco de
novos tsunamis e de vazamento de radiação em uma usina nuclear onde ocorreu uma
explosão que feriu quatro pessoas.
O
principal porta-voz do primeiro-ministro Naoto Kan e secretário-chefe do
gabinete, Yukio Edano, declarou que “se teme a morte de mais de mil pessoas”,
conforme as operações de resgate vão trabalhando ao largo da costa leste da
ilha de Honshu, a maior do país, onde ondas gigantescas destruíram mais de
3.000 casas.
Tsunami
O
canal de televisão japonês NHK emitiu comunicado por volta das 5h30 deste
sábado sobre a possibilidade de novos tsunamis no Japão.
Segundo
o canal, as ondas podem atingir mais de 3 metros de altura em
algumas regiões da costa leste do país. O comunicado ainda adverte os moradores
da possíveis áreas afetadas a deixarem suas casas e procurarem locais altos.
Não
há previsão de quando as ondas deverão atingir o território japonês, de acordo
com a emissora. Os avisos são transmitidos em japonês, inglês e português.
Risco nuclear
Uma
forte explosão deixou quatro feridos neste sábado na usina nuclear de
Fukushima, onde o nível de radiação aumentara de forma alarmante após o
terremoto.
Segundo
a imprensa japonesa, que cita a empresa elétrica Tepco (Tokyo Electric Power) e
a Agência de Segurança Nuclear do Japão, a explosão aconteceu às 15h36 da hora
local (3h36 de Brasília), aparentemente quando uma equipe tentava esfriar um
reator nuclear da usina número 1.
A
rede de televisão NHK assegura que o teto e as paredes do edifício que abrigava
o reator desabaram.
O
terremoto que atingiu a região ontem havia danificado o sistema de refrigeração
da central, que paralisou suas atividades, sem que isso impedisse o aumento da
pressão no reator nuclear.
Os
quatro feridos foram transferidos para um hospital da região, segundo fontes da
Tepco, a companhia que opera a usina, que ainda não divulgou informações sobre
o estado da central.
O
incidente ocorreu pouco depois de os responsáveis da usina nuclear terem
anunciado que haviam conseguido reduzir a pressão no reator.
O
governo ordenara neste sábado a evacuação de cerca de 45 mil habitantes em um
raio de 10
quilômetros ao redor das instalações nucleares, enquanto
já havia evacuado na sexta-feira três mil pessoas em um raio de três
quilômetros.
Inaugurada
em 1961, a
usina número 1 da Tokyo Electric Power em Fukushima, com o nome de Daiichi,
fica 270 quilômetros
ao nordeste de Tóquio e contava com permissão para continuar ativa até 2021.
Blecaute
A
Tepco ainda informou neste sábado que existe um risco de interrupção do
fornecimento de energia elétrica em Tóquio e nas cidades vizinhas à capital
japonesa devido à paralisação das atividades das usinas nucleares localizadas
na região mais atingida pelo terremoto.
A
empresa pediu aos moradores destas cidades que reduzam o consumo de energia, já
que a demanda normalmente utilizada no final da tarde e início da noite seria
maior do que a capacidade de fornecimento atual.
A
Tepco ainda estuda a possibilidade de fazer cortes programados de eletricidade
em períodos de três horas, de forma rotativa, nas regiões onde ela faz o
fornecimento.
24
horas após a catástrofe, a contagem da Agência Nacional de Polícia aponta para
503 mortos, 1.040 feridos e 740 desaparecidos. Porém, a polícia de Sendai, a
cidade mais atingida pelo tsunami, indicou que ao menos 200 corpos foram
encontrados na costa devastada.
O
Ministério da Defesa informou hoje que 1.800 residências em Minami Soma foram
destruídas, e as autoridades de Sendai indicam mais 1.200 casas derrubadas pelo
tsunami.