Sábado, 12 de Março de 2011         07h07        178
Mortos por terremoto e tsunami no Japão passam de 500
Folha/PCS

O governo japonês elevou neste sábado para 503 o número de mortos pelo terremoto de magnitude 8,9 seguido de um tsunami que devastou a região leste do país na sexta-feira, e estimativas já apontam para mais de 1.000 vítimas. O país ainda vive a tensão de novos problemas advindos da catástrofe devido ao risco de novos tsunamis e de vazamento de radiação em uma usina nuclear onde ocorreu uma explosão que feriu quatro pessoas.

O principal porta-voz do primeiro-ministro Naoto Kan e secretário-chefe do gabinete, Yukio Edano, declarou que “se teme a morte de mais de mil pessoas”, conforme as operações de resgate vão trabalhando ao largo da costa leste da ilha de Honshu, a maior do país, onde ondas gigantescas destruíram mais de 3.000 casas.

Tsunami

O canal de televisão japonês NHK emitiu comunicado por volta das 5h30 deste sábado sobre a possibilidade de novos tsunamis no Japão.

Segundo o canal, as ondas podem atingir mais de 3 metros de altura em algumas regiões da costa leste do país. O comunicado ainda adverte os moradores da possíveis áreas afetadas a deixarem suas casas e procurarem locais altos.

Não há previsão de quando as ondas deverão atingir o território japonês, de acordo com a emissora. Os avisos são transmitidos em japonês, inglês e português.

Risco nuclear

Uma forte explosão deixou quatro feridos neste sábado na usina nuclear de Fukushima, onde o nível de radiação aumentara de forma alarmante após o terremoto.

Segundo a imprensa japonesa, que cita a empresa elétrica Tepco (Tokyo Electric Power) e a Agência de Segurança Nuclear do Japão, a explosão aconteceu às 15h36 da hora local (3h36 de Brasília), aparentemente quando uma equipe tentava esfriar um reator nuclear da usina número 1.

A rede de televisão NHK assegura que o teto e as paredes do edifício que abrigava o reator desabaram.

O terremoto que atingiu a região ontem havia danificado o sistema de refrigeração da central, que paralisou suas atividades, sem que isso impedisse o aumento da pressão no reator nuclear.

Os quatro feridos foram transferidos para um hospital da região, segundo fontes da Tepco, a companhia que opera a usina, que ainda não divulgou informações sobre o estado da central.

O incidente ocorreu pouco depois de os responsáveis da usina nuclear terem anunciado que haviam conseguido reduzir a pressão no reator.

O governo ordenara neste sábado a evacuação de cerca de 45 mil habitantes em um raio de 10 quilômetros ao redor das instalações nucleares, enquanto já havia evacuado na sexta-feira três mil pessoas em um raio de três quilômetros.

Inaugurada em 1961, a usina número 1 da Tokyo Electric Power em Fukushima, com o nome de Daiichi, fica 270 quilômetros ao nordeste de Tóquio e contava com permissão para continuar ativa até 2021.

Blecaute

A Tepco ainda informou neste sábado que existe um risco de interrupção do fornecimento de energia elétrica em Tóquio e nas cidades vizinhas à capital japonesa devido à paralisação das atividades das usinas nucleares localizadas na região mais atingida pelo terremoto.

A empresa pediu aos moradores destas cidades que reduzam o consumo de energia, já que a demanda normalmente utilizada no final da tarde e início da noite seria maior do que a capacidade de fornecimento atual.

A Tepco ainda estuda a possibilidade de fazer cortes programados de eletricidade em períodos de três horas, de forma rotativa, nas regiões onde ela faz o fornecimento.

24 horas após a catástrofe, a contagem da Agência Nacional de Polícia aponta para 503 mortos, 1.040 feridos e 740 desaparecidos. Porém, a polícia de Sendai, a cidade mais atingida pelo tsunami, indicou que ao menos 200 corpos foram encontrados na costa devastada.

O Ministério da Defesa informou hoje que 1.800 residências em Minami Soma foram destruídas, e as autoridades de Sendai indicam mais 1.200 casas derrubadas pelo tsunami.

 

 

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