O
número de mortos pelo devastador terremoto e posterior tsunami que atingiram a
costa leste e nordeste do Japão nesta sexta-feira (11) provavelmente irá
ultrapassar dezenas de milhares, disse o chefe de polícia Miyagi neste domingo,
em entrevista a jornalistas.
Em
Miyagi continuam sem ser localizados 9.500 habitantes de Minamisanriku,
população que foi praticamente arrasada pelo tsunami produzido pelo terremoto.
Naoto
Takeuchi, chefe de polícia, disse após sair de uma reunião sobre a crise ““não
ter nenhuma dúvida”“ de que o número de óbitos atingirá esse valor somente no
região de Miyagi, a mais atingida.
Atualmente,
a contagem oficial é de pouco mais de 800 mortos confirmados em Miyagi e outras
áreas.
Um
total de 1.167 pessoas estão desaparecidas só na província de Fukushima
(nordeste do Japão), uma das mais devastadas junto a Miyagi e Iwate, segundo a
agência local Kyodo.
RADIAÇÃO
O
nível de radiação desprendido pela usina nuclear de Fukushima (nordeste do
Japão) superou neste domingo (hora local) o limite legal, segundo anunciou a
empresa operadora, TEPCO (Tokyo Electric Power).
O
ministro porta-voz do Japão, Yukio Edano, admitiu que aparentemente houve uma
fuga radioativa no reator da unidade 1 de Fukushima, de cujas imediações foram
evacuadas cerca de cem mil pessoas. Ele acrescentou que, até o momento, 22
pessoas foram expostas à radiação em Fukushima, cujas operações foram suspensas
após o terremoto de 8,9 graus de magnitude na escala Richter e posterior
tsunami desta sexta-feira.
Neste
sábado houve uma explosão nesta mesma usina, embora o governo japonês insista
que ela não ocorreu em um reator.
A
TEPCO explicou que a quantidade de radiação emitida na unidade chegou a 882
microsievert por hora, acima do limite recomendado de 500.
Edano
disse inclusive que em um momento foram alcançados 1.204 microsievert, unidade
de medida de exposição a radiações ionizantes.
O
reator 3 da mesma central sofre problemas em seu sistema de refrigeração, e os
responsáveis continuam tentando esfriá-lo liberando vapor de forma controlada,
enchendo de água do mar e ácido bórico o recipiente primário de contenção.
A
AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) comunicou no sábado que a
explosão ocorreu fora desse "envoltório" de aço do reator, e por isso
seu núcleo não foi afetado.
Quatro
funcionários da TEPCO ficaram feridos na explosão, que derrubou o telhado e as
paredes externas do reator, como pôde ser visto em imagens veiculadas pela
televisão japonesa.
ESCALA
O
acidente em uma central nuclear na cidade de Fukushima, no Japão, após o forte
terremoto que atingiu o país na sexta-feira, foi classificado como de nível 4
na Escala Internacional de Eventos Nucleares, que vai de 0 a 7. A classificação é a
terceira mais alta já concedida, ficando atrás apenas do acidente em Three Mile Island,
nos Estados Unidos, em 1979 (nível 5) e de Tchernobil, em 1986 (grau 7).
A
classificação 4 qualifica acidentes “com consequências de alcance local”,
segundo documentos da AIEA (Agência internacional de Energia Atômica). Em 1999,
o Japão havia registrado um acidente com a mesma classificação.
O
termo anomalia é utilizado para o nível 1 e, incidente, para os níveis 2 e 3. O
nível 4 é o pior até o momento no Japão, de acordo com a Agência japonesa de
Segurança Nuclear e Industrial.
O
reator Daiichi 1, ao norte da capital Tóquio, começou a vazar radiação depois
que o terremoto de magnitude 8,9 causou um tsunami, prontamente levantando
temores de um derretimento nuclear. O sistema de resfriamento do reator nuclear
falhou após os tremores, causando uma explosão que rompeu o telhado da usina.
As
autoridades afirmam que os níveis de radiação em Fukushima estavam elevados
antes da explosão. Em determinado momento, a usina estava liberando a cada hora
a quantidade de radiação uma pessoa normalmente absorve do ambiente em um ano.
MORTOS
O
Japão lidava com a ameaça nuclear ao mesmo tempo em que o governo se esforça
para determinar a extensão dos dados causados pelo terremoto, o pior de que se
tem registro no país, e pelo tsunami que devastou a costa nordeste do país na
sexta-feira. A contagem oficial de mortos subiu para 686, mas o governo espera
que o número ultrapasse 1.000.
Equipes
procuravam pelos desaparecidos ao longo de centenas de quilômetros da costa
japonesa. Pelo menos um milhão de casas ficaram sem água após o terremoto.
Grandes áreas estavam cercadas de água e isoladas.
Enquanto
o Japão entrava na segunda noite desde o terremoto de magnitude de 8,9, havia
sinais claros de que o número de mortos poderia aumentar. Um relatório dizia
que ninguém conseguiu encontrar quatro trens inteiros. Outros diziam que 9.500
pessoas estavam desaparecidos em uma cidade litorânea, enquanto pelo menos 200
corpos aparecem em diversos lugares após o tsunami.
O
governo do Japão anunciou que duplicará para 100 mil o número de militares
escalados para trabalhar nas zonas devastadas pelo terremoto, informou a
agência Kyodo.
Cinquenta
mil soldados adicionais serão enviados nas próximas horas para ajudar nos
trabalhos de resgate em uma ampla faixa do litoral oriental, golpeada pelo
forte terremoto e o devastador tsunami da sexta-feira, que arrastou tudo em seu
caminho.
O
primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, tinha anunciado na sexta-feira que seriam
50 mil os soldados que participarão da operação, mas agora decidiu duplicar seu
número.
Na
operação de resgate também participam 25 navios das Forças de Autodefesa
Marítima (Marinha), que procuram os desaparecidos em alto-mar.
Tanto
a base área militar como o aeroporto civil da província nordeste de Miyagi
permanecem inundados desde a onda gigante de dez metros de altura que arrasou
na sexta-feira a região.
Perante
esta situação, os helicópteros japoneses utilizarão de plataforma de lançamento
improvisada o porta-aviões americano Ronald Reagan, ladeado por dois destróieres
e enviado pelos EUA, que pôs em alerta toda a VII Frota no Pacífico Oriental,
segundo a rede de televisão NHK.
O
tsunami piorou a destruição causada pelo terremoto, levou embora localidades
litorâneas inteiras no litoral nordeste e foi “muito pior do que o esperado”,
segundo as autoridades japonesas.
O
último cômputo oficial fala de 687 mortos e 650 desaparecidos com a catástrofe,
mas a imprensa local os aumentam para mais de 1.800.
Os
trabalhos de resgate coordenados pelos militares estão sendo dificultados por
causa das constantes réplicas do terremoto, além das estradas fechadas e
inundadas pelo maremoto.