A regulação da mídia não se contrapõe à liberdade de expressão, de
acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco), que lançou hoje (17) estudo sobre o papel da regulação do
setor na consolidação das democracias e na garantia de acesso à informação.
“Um setor de radiodifusão sem regras específicas e exatas seria
prejudicial à liberdade de expressão, a começar do aspecto técnico. É
fundamental estabelecer critérios e condições para que as frequências sejam
distribuídas de forma racional e equitativa, que as emissoras contempladas
representem a diversidade da sociedade e possam operar sem interferências”,
aponta o estudo Liberdade de Expressão e Regulação da Radiodifusão.
A Unesco defende a regulação dos serviços de rádio e TV para
garantir a diversidade e o pluralismo, mas destaca a necessidade de
independência dos órgãos reguladores para que o processo não sofra
interferência política ou pressões comerciais.
Nesse contexto, cabe ao Estado criar condições para que os setores
privado, público e comunitário tenham espaço para se desenvolver e para que não
haja concentração ilegal que restrinja os direitos de telespectadores e
ouvintes.
Em outro ensaio, a Unesco aponta a possibilidade de autorregulação
do setor como uma alternativa ao controle do Estado, mas com algumas garantias
para proteger a liberdade de expressão.
A proteção contra a interferência de governos e a melhoria dos
padrões profissionais, estimulada pela concorrência, estão entre os aspectos
positivos da regulação interna do setor, segundo o documento.
“No entanto, a autorregulação não é uma questão simples, pois
impõe requisitos em todos os âmbitos das organizações de comunicação: aos
jornalistas, aos seus editores e gestores, à abordagem na produção de conteúdo
e ao comportamento geral da empresa”, diz um trecho do estudo A Importância da
Autorregulação da Mídia para a Defesa da Liberdade de Expressão.
Para evitar que esse modelo de regulação sirva apenas aos
interesses do mercado e das empresas de comunicação, os autores apontam a
necessidade de haver obrigações transparentes de todos os atores do setor,
focadas na proteção da liberdade de expressão. O cumprimento deve ser atestado
publicamente, em relatórios “claros e objetivos” para que a sociedade faça
parte do controle.