A
China elevou nesta quinta-feira a pressão internacional sobre o Japão, pedindo
que o país forneça informações precisas e atualizadas em relação à escala de
seu desastre nuclear.
Em
sua entrevista de rotina aos jornalistas, o porta-voz do Ministério do Exterior
chinês, Jiang Yu, disse que as autoridades dos dois vizinhos estão cooperando
para trocar informações sobre os riscos do acidente nuclear japonês, em meio a
suspeitas de alguns países sobre a escala do problema.
"Esperamos
que o Japão informe o mundo de maneira precisa e atualizada sobre o que está
acontecendo no local e dê sua avaliação e seu prognóstico da situação à medida
que avança", afirmou o porta-voz.
Na
quarta-feira, o chefe da agência de regulação nuclear dos Estados Unidos,
Gregory Jaczko, disse acreditar que a área ao redor da usina de Fukushima
Daiichi, onde estão sendo registrados incidentes com os reatores nucleares,
está registrando "altos níveis de radiação".
O
Departamento de Estado dos EUA pediu aos americanos que deixem todas as áreas
dentro de um perímetro de 80
km da usina, área muito mais abrangente que a zona de
exclusão de 20 km
aconselhada pelo governo japonês.
Tóquio
classificou a orientação americana como "conservadora".
França
e Grã-Bretanha também estão recomendando evitar grandes partes do Japão. As
autoridades britânicas aconselharam seus cidadãos em Tóquio ou ao norte da
capital a se dirigir para o sul do país.
Já
o governo francês deu a mesma orientação e pediu à Air France que enviasse dois
aviões para retirar os seus cidadãos nesta quinta-feira.
O
chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukio Amano, está
viajando ao país para avaliar pessoalmente a situação.
ESFORÇOS
Nesta
quinta-feira, o Japão intensificou os esforços para resfriar os reatores da
usina. Helicópteros militares CH-47 Chinook começaram a jogar toneladas de água
nos reatores três e quatro da usina de Fukushima para tentar evitar o
derretimento de bastões de combustível nuclear.
As
aeronaves descarregaram quatro cargas de água antes de deixar o local para
tentar reduzir ao máximo a exposição das tripulações à radiação.
Canhões
de água deverão ser incluídos na operação, que tem como objetivo resfriar os
reatores e também repor a água da piscina de resfriamento para bastões de combustível
nuclear usados.
As
autoridades japonesas também dizem esperar restabelecer o suprimento de energia
elétrica para a usina, necessária para o sistema de resfriamento e para os
geradores de emergência.
Na
quarta-feira, os helicópteros haviam sido forçados a abortar uma operação
semelhante por conta das preocupações sobre os altos níveis de radiação.
O
tsunami que danificou a usina foi gerado após um terremoto de magnitude 9 que
atingiu o nordeste do Japão na sexta-feira.
A
polícia japonesa já confirmou 5.178 mortes em consequência do tremor e do
tsunami. Outras 8.606 pessoas continuam desaparecidas.
EMERGÊNCIA
Em
áreas do nordeste do país gravemente atingidas pelo tsunami, as baixas
temperaturas de inverno aumentaram os problemas enfrentados pelos
sobreviventes.
O
governador da província de Fukushima, onde está localizada a usina danificada,
reclamou que os abrigos públicos não têm as necessidades básicas, incluindo
alimentos quentes.
Cerca
de 450 mil pessoas estão em abrigos temporários, muitas delas dormindo no chão
de ginásios esportivos em escolas.
A
crise continuou a afetar os mercados financeiros, com uma retração de 1,4% no
índice Nikkei, da Bolsa da Valores de Tóquio, que chegou a cair 4,5% durante o
pregão.
O
iene também atingiu ao longo do dia seu maior valor em relação ao dólar desde a
Segunda Guerra Mundial.