A
Justiça francesa indiciou nesta sexta-feira (18) a companhia aérea Air France
por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) pelo acidente aéreo
ocorrido em 31 de maio de 2009 no voo 447 da empresa que faria o trajeto Rio de
Janeiro-Paris. Na quinta (17), a Airbus também foi indiciada pelo mesmo crime.
O ato de indiciar significa formalizar a acusação.
Após
um interrogatório de menos de uma hora em uma primeira audiência, a companhia
aérea, representada pelo diretor geral, Pierre Henri Gourjon, foi indiciada
como pessoa jurídica por "homicídio culposo" pela juíza Sylvie
Zimmerman.
Airbus
Na quinta-feira, quando a juíza indiciou pelo mesmo delito a construtora
aeronáutica europeia Airbus, o presidente da empresa afirmou: "Confirmo
que a Airbus foi indiciada. Desaprovamos firmemente a decisão, que consideramos
prematura."
Caixas-pretas
Os dois indiciamentos são os primeiros do processo, condicionado à eventual
localização das caixas-pretas do Airbus A330 que caiu na costa do Brasil quando
voava do Rio a Paris.
A
decisão judicial foi anunciada às vésperas do início da quarta operação de
busca do Airbus A330 da Air France. Em 20 de março, os especialistas começarão
uma quarta fase de buscas em uma zona até agora não explorada de 10 mil
quilômetros quadrados para tentar encontrar as caixas-pretas da aeronave.
O
Escritório de Investigações e Análises (BEA), organismo responsável pelas investigações
técnicas do acidente, considera que uma falha nas sondas (sensores de
velocidade) Pitot do fabricante francês Thales foi um dos fatores do acidente,
mas acredita que só terá a explicação definitiva da tragédia com a localização
das caixas-pretas.
Em
2009, familiares das vítimas - que incluem 72 franceses e 59 brasileiros -
entraram com uma ação na justiça francesa para exigir uma investigação do
acidente. Ao todo, 228 pessoas morreram.