O presidente do Equador, Rafael Correa, abriu processo
contra dois jornalistas por danos morais, informa o site Knight Center for
Journalism nesta terça-feira (22). O processo decorre da publicação de um livro
que denuncia uma suposta ligação do irmão do presidente, Fabricio Correa, em um
esquema de corrupção.
O presidente estaria pedindo 10 milhões de dólares por
danos morais, acrescentou o La
Hora.
Juan Carlos Calderón e Christian Zurita, autores do livro
"O Grande Irmão" (tradução livre), que narra a investigação de
supostos contratos milionários entre o governo e empresas vinculadas a Fabricio
Correa, receberam a notícia com surpresa e afirmaram não terem recebido ainda
uma notificação oficial, explicou o El Comercio.
O diretor da organização Fundamedios, César Ricaurte,
considerou a situação "grave", porque "ela implica seguir no
caminho da judicialização da opinião e da investigação jornalística. Com isso,
o presidente manda um sinal de que esta será a linha a seguir", declarou,
citado pelo El Universo.
Um relatório sobre a situação da mídia no Equador,
apresentado recentemente pela Unesco, enfatizou a necessidade de se rever a lei
do desacato e modernizar a legislação relacionada à liberdade de expressão, num
momento em que a relação entre o governo e a imprensa está tensa, por causa
deconstantes críticas e interferências do presidente Correa.