Nos Jogos que serão lembrados como o "Pan da vaia", o Brasil teve no Rio de Janeiro seu melhor desempenho na história da competição, com recorde de medalhas de ouro e de pódios.
Empurrados pelos torcedores, que muitas vezes prejudicaram estrangeiros com vaias em provas em que a concentração é essencial, os brasileiros foram ao lugar mais alto do pódio 54 vezes e ainda contabilizaram 40 pratas e 67 bronzes, totalizando 161 pódios.
Até hoje, o melhor desempenho havia ocorrido em Santo Domingo 2003, quando o país recebeu 123 premiações (29 ouros, 40 pratas e 54 bronzes).
Com o desempenho, o Brasil ficou em terceiro lugar no quadro de medalhas, feito que não conseguia desde Winnipeg-1967. O país ficou atrás do EUA, com 97 ouros, e muito perto de Cuba, que teve apenas cinco ouros a mais, com 59. O Canadá, que normalmente ficava à frente dos brasileiros, terminou em quarto, com 39 ouros.
As vaias no Rio de Janeiro começaram já na cerimônia de abertura, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de apupos no estádio do Maracanã e acabou não discursando na abertura oficial do evento.
A torcida não poupou quase nenhum estrangeiro. Os alvos prediletos foram norte-americanos e argentinos, mas todo atleta que estivesse competindo contra um brasileiro acabava vaiado.
Mesmo em esportes em que pede-se silêncio dos espectadores, como tênis, ginástica, ou hipismo, os competidores de outros países sofreram. Até mesmo para brasileiros, como no caso do futsal, que acabou com a medalha de ouro, houve vaias pela "falta de espetáculo".
O principal destaque brasileiro nos Jogos foi o nadador Thiago Pereira, que conquistou seis medalhas de ouro e foi ao pódio oito vezes no total.
O brasileiro venceu as provas dos 200 m e 400 m medley, 200 m costas, 200 m peito e os revezamentos 4 x 200 m livre e 4 x 100 m livre, em que não competiu na final, apenas nas semifinais. Nos 100 m costas ficou com o bronze. Thiago ainda ajudou a equipe nacional a ganhar a prata no 4 x 100 m medley.
Outro destaque individual foi Hugo Hoyama, que conseguiu o ouro por equipes e se tornou o maior vencedor do país em Pans, com nove medalhas douradas, deixando para trás o nadador Gustavo Borges, que tem oito.
No atletismo, o país bateu seu recorde de medalhas, com 23 pódios --nove ouros, cinco pratas e nove bronzes. Os principais destaques foram Fabiana Murer, ouro no salto com vara, e Jadel Gregório, vencedor no salto triplo.
O judô, que tradicionalmente impulsiona o Brasil no quadro de medalhas, conseguiu ir ao pódio em 13 das 14 categorias --somente Flávio Canto, que se machucou, saiu sem medalha. Tiago Camilo, João Derly, Edinanci Silva e Daniele Zangrando levaram ouro, mas o país decaiu em número de primeiros lugares em relação a 2003, quando cinco atletas venceram finais.
Na ginástica, Diego Hypólito e Jade Barbosa brilharam. Diego venceu no solo e no salto sobre a mesa, enquanto Jade foi ouro no salto e prata com a equipe.
Outro esporte que rendeu muitos ouros foi a vela, em que o Brasil foi campeão na RS:X, na J24 e na Snipe. Robert Scheidt, principal estrela da delegação, no entanto, ficou a prata na laser.
Nos esportes coletivos, além do futsal, o Brasil levou o ouro no basquete masculino, no vôlei masculino, no futebol feminino e no handebol (tanto masculino e feminino). Ricardo e Emanuel também subiram ao lugar mais alto do pódio no vôlei de praia.
O bom desempenho brasileiro serviu, segundo o presidente da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), Mario Vasquez Raña, para tornar "barato" o alto investimento na competição.
O governo federal gastou cerca de R$ 1,8 bilhão no Pan. O custo total dos Jogos foi de R$ 3,7 bilhões, quase 800% a mais que o previsto em 2002.