O pneumologista e professor da Faculdade de Medicina da USP Rafael
Stelmach tirou dúvidas que chegaram pela internet sobre falta de ar. Segundo
ele, o problema em geral é considerado mais grave que a falta de fôlego, mas
nos exames clínicos esses termos se equivalem.
Para saber se esse sintoma tem cura, é preciso conhecer suas
causas, já que é apenas um indício de que algo não está bem. Na opinião do
especialista, qualquer médico está apto a reconhecer esses sinais: um clínico
geral, médico de posto ou do Programa Saúde da Família, por exemplo.
De acordo com Stelmach, o cigarro é altamente prejudicial para a
capacidade pulmonar. Isso porque a fumaça faz com que substâncias tóxicas
entrem rapidamente no sangue. Em uma analogia, é como colocar a boca em
um cano de escape de um carro e inalar o que sai.
Voltar a ter uma boa capacidade respiratória após parar de fumar
depende do quanto alguém fumou e se já há alguma doença crônica, disse
Stelmach. Do contrário, se a pessoa foi viciada por pouco tempo e não tem
predisposição a enfermidades, pode recuperar a capacidade em 4 ou 5 anos.
Assim como a ansiedade, depressão pode causar falta de fôlego, que
pode ser confundida, na verdade, com o pouco ânimo para fazer as atividades
rotineiras, esclareceu o especialista.
Stelmach afirmou, ainda, que evidências clínicas e testes em
laboratórios apontam que a concentração de poluentes em grandes cidades, como
São Paulo, equivale a fumar três cigarros por dia e pode desencadear problemas
pulmonares sérios – como bronquite, asma ou enfisema – dentro de 40 ou 50 anos.
Na hora de se exercitar, ele recomendou fugir de áreas muito poluídas.
Na sequência, o pneumologista explicou por que ocorre falta de ar
na gravidez – pela pressão do útero sobre os outros órgãos e também sobre o
diafragma, o que muda a forma de respiração na mulher. Além disso, há um
aumento da circulação de sangue no corpo da gestante, o que pode provocar uma
retenção de líquido nos pulmões. Stelmach também alertou que essas futuras mães
não podem interromper o tratamento contra asma, ao contrário do que indicam
alguns profissionais.
A natação não substitui o diagnóstico nem o tratamento da falta de
ar, destacou o médico. Ele esclareceu, ainda, que a apneia do sono – pausa respiratória
durante a noite – pode causar falta de ar, hipertensão e distúrbios de
funcionamento do pulmão.
Para casos de asma, Stelmach disse que a bombinha é muitas vezes
mais eficiente que a inalação, pois a primeira leva 5 segundos e é mais
portátil, enquanto a segunda dura cerca de 20 minutos. O dispositivo só faz mal
para quem tem problemas de coração.
Por fim, o médico detalhou e diferenciou rinite e asma – 80% dos
asmáticos têm rinite e 30% dos riníticos têm asma. Segundo ele, de 3 a 4 em 10 crianças na faixa
etária abaixo dos 10 anos sofrem de asma no mundo, contra 2 a 3 adultos acima dos 20
anos. Entre os sintomas da doença estão chiado, falta de ar e tosse seca. O
tratamento deve ser regular, porque o problema é crônico. Stelmach concluiu
fazendo um alerta sobre a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).