O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia aguarda o aval do
Ministério da Saúde para implantar o primeiro coração artificial brasileiro em pacientes. O aparelho
foi desenvolvido ao longo de dez anos, com bezerros como cobaias.
O modelo nacional não substitui o coração natural, mas funciona
como órgão auxiliar. Por isso, Segundo o coordenador do Centro de Engenharia do
instituto, Aron José Pazin de Andrade, “a cirurgia de implantação é mais
simples, uma vez que não tem que tirar o coração do paciente. E a adaptação do
paciente ao aparelho é mais fácil, porque o controle da frequência cardíaca do
artificial é mais fácil”.
Como toda a pesquisa foi financiada por órgãos públicos, o coração
artificial brasileiro deverá custar apenas um quinto dos equivalentes
fabricados no exterior, variando entre US$ 30 mil e US$ 60 mil.
O aparelho permite aumentar o bem-estar e dar uma sobrevida aos
paciente. “Toda a carga de bombeamento é o artificial que faz. O natural
bombeia para dentro do artificial e o artificial bombeia para fora”, detalha
Andrade.
Apesar do incômodo causado aos pacientes pela parte do órgão que
fica fora do corpo, ele garante que o equipamento trará uma melhora
significativa na qualidade vida dos pacientes. Uma caixa um pouco maior que um
maço de cigarros contendo a bateria do coração fica sobre a pele do usuário.
“Lógico que não vai ter uma vida normal, porque tem o aparelho pendurado, mas
vai ter uma condição de sobrevida muito melhor enquanto espera o transplante”.
Assim que for aprovado pelo ministério, o coração artificial
deverá passar a ser implantado gratuitamente nos pacientes do Dante Pazzanese.
De acordo com Andrade, a expectativa é que em seguida o procedimento possa ser
realizado também na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
O desenvolvimento do coração artificial foi financiado pela
Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp), pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, pela Secretaria de Estado
da Saúde de São Paulo e pelo Ministério da Saúde.