O
Escritório de Investigações e Análise para a Aviação Civil (BEA, na sigla em
francês), órgão do governo da França que apura as causas do acidente com o voo
447 da Air France, espera extrair os dados de uma das caixas-pretas encontradas
neste domingo em cerca de duas semanas.
Sem ter sido analisado, o equipamento
repescado apresenta "bom estado físico", o que eleva as chances de que
as informações técnicas do voo tenham sido preservadas.
"Ela (a
caixa-preta) deverá chegar às nossas instalações dentro de oito a 10 dias,
tempo que um navio da Marinha vá buscá-la e nos traga de volta", disse o
diretor do BEA, Jean-Paul Troadec. Com isso, o trabalho de investigação sobre
as causas do acidente com o Airbus A330, que deixou 228 mortos em 31 de maio de
2009, deu um passo decisivo.
A
localização aconteceu por volta das 10h manhã deste domingo - 5h de Brasília -,
segundo o comunicado distribuído no início da noite pelo BEA. "A equipe de
investigação localizou e identificou o módulo de memória do gravador de
parâmetros - Flight Data Recorder (FDR) - nesta manhã. Ele foi trazido a bordo do
navio Ile de Sein pelo robô Remora 6000", informou escritório.
Na
última sexta-feira, o BEA já havia anunciado ter localizado o chassi do FDR,
mas sem o principal módulo, que protege o gravador. "Se os dados puderem
ser explorados, isso vai nos permitir avançar na investigação porque o FDR
registra, durante o voo, a velocidade e as diferentes posições do manche",
especificou Troadec.
Além
dos dados do FDR, as operações no Atlântico ainda buscam a segunda caixa-preta,
que registra os diálogos entre os membros da tripulação - o cockpit voice
recorder (CVR).
À
noite, a Air France, companhia a qual pertencia o Airbus que realizava o voo
Rio de Janeiro-Paris, veio a público saudar o avanço das investigações.
Pierre-Henri Gourgeon, diretor-geral da companhia, demonstrou otimismo sobre as
chances de esclarecer o acidente. "Essa nota etapa da investigação
constitui um grande avanço porque ela (a caixa-preta) poderá fornecer
informações suplementares sobre as causas do acidente, até aqui
inexplicado", disse Gorgeon. "Nós esperamos que o BEA possa assim
trazer respostas às perguntas as famílias das vítimas, a nossa companhia e a
comunidade aérea mundial se fazem há quase dois anos quanto aos fatos que
levaram ao trágico acidente."
Em
Paris, Jean-Baptiste Audousset, presidente da Associação Francesa de Famílias
de Vítimas, saudou a localização da primeira caixa-preta, definindo a
descoberta como "muito encorajadora", mas pediu cautela. "É
preciso continuar prudente e esperar para ver em que condições o gravador
poderá ser explorado."