Segunda-feira, 02 de Maio de 2011         11h53        92
BEA espera extrair dados de caixa-preta do voo 447 em duas semanas
Estadão/PCS
Divulgação
 BEA espera extrair dados de caixa-preta do voo 447 em duas semanas
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O Escritório de Investigações e Análise para a Aviação Civil (BEA, na sigla em francês), órgão do governo da França que apura as causas do acidente com o voo 447 da Air France, espera extrair os dados de uma das caixas-pretas encontradas neste domingo em cerca de duas semanas.

Sem ter sido analisado, o equipamento repescado apresenta "bom estado físico", o que eleva as chances de que as informações técnicas do voo tenham sido preservadas.

"Ela (a caixa-preta) deverá chegar às nossas instalações dentro de oito a 10 dias, tempo que um navio da Marinha vá buscá-la e nos traga de volta", disse o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec. Com isso, o trabalho de investigação sobre as causas do acidente com o Airbus A330, que deixou 228 mortos em 31 de maio de 2009, deu um passo decisivo.

A localização aconteceu por volta das 10h manhã deste domingo - 5h de Brasília -, segundo o comunicado distribuído no início da noite pelo BEA. "A equipe de investigação localizou e identificou o módulo de memória do gravador de parâmetros - Flight Data Recorder (FDR) - nesta manhã. Ele foi trazido a bordo do navio Ile de Sein pelo robô Remora 6000", informou escritório.

Na última sexta-feira, o BEA já havia anunciado ter localizado o chassi do FDR, mas sem o principal módulo, que protege o gravador. "Se os dados puderem ser explorados, isso vai nos permitir avançar na investigação porque o FDR registra, durante o voo, a velocidade e as diferentes posições do manche", especificou Troadec.

Além dos dados do FDR, as operações no Atlântico ainda buscam a segunda caixa-preta, que registra os diálogos entre os membros da tripulação - o cockpit voice recorder (CVR).

À noite, a Air France, companhia a qual pertencia o Airbus que realizava o voo Rio de Janeiro-Paris, veio a público saudar o avanço das investigações. Pierre-Henri Gourgeon, diretor-geral da companhia, demonstrou otimismo sobre as chances de esclarecer o acidente. "Essa nota etapa da investigação constitui um grande avanço porque ela (a caixa-preta) poderá fornecer informações suplementares sobre as causas do acidente, até aqui inexplicado", disse Gorgeon. "Nós esperamos que o BEA possa assim trazer respostas às perguntas as famílias das vítimas, a nossa companhia e a comunidade aérea mundial se fazem há quase dois anos quanto aos fatos que levaram ao trágico acidente."

Em Paris, Jean-Baptiste Audousset, presidente da Associação Francesa de Famílias de Vítimas, saudou a localização da primeira caixa-preta, definindo a descoberta como "muito encorajadora", mas pediu cautela. "É preciso continuar prudente e esperar para ver em que condições o gravador poderá ser explorado."

 

 

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