Uma coligação vencedora, mas estranha, que num curto
espaço de tempo originou as cartas publicas, ditas como abertas à população. Os
cochichos e especulações de “bastidores”, e que depois foram efetivados, em
relação às nomeações de coordenadores e secretários. O barulho da quebra de
braço, a troca de cargos de parceiros de campanha por aqueles outrora
adversários, parece retumbar estranhos nos ouvidos, desde o mais simples
eleitor até aqueles partidários fiéis, que podem até aceitar a troca, mas
querem entender onde reside a governabilidade.
Entende-se, ou deveria se entender, como governabilidade
as ações em que os ocupantes de cargos no legislativo e no executivo, somado as
forças políticas das quais fazem parte, fossem empenhadas para proporcionar
melhoria na qualidade de vida do povo nas áreas da administração da coisa
pública: saúde, educação, infra-estrutura, promoção social, etc.
Mas, ao que parece, a governabilidade costurada e
construída pelo conselheiro moribundo, está mais para acomodar os aliados de
campanha do que para oferecer governabilidade ao executor de plantão. Mas por
que isso acontece?
Numa rápida memorização, pois os fatos são recentes, dá
para se lembrar do cordão de apaixonados que se formava, nas últimas eleições,
na tentativa de conquistar a vitória. Bradava-se que seria a melhor opção, pois
tinha à sua volta representantes de todos os partidos, tanto na bancada
estadual como na federal, de vereador a senador, passando pela governadoria do
estado, estavam todos buscando o melhor para a governabilidade e o
desenvolvimento do município.
Naquele momento, relembrando o título de uma canção
popular - “Pra não dizer que não falei
das flores”, alguém alertou que a coligação arquitetada não serviria aos
propósitos de fortalecimento partidário, não garantiria governabilidade para o
possível vencedor e, e muito menos oportunizaria desenvolvimento para o
município, pois, cada um, no tempo oportuno, iria buscar seu espaço nem que
para isso tivesse que contrariar as regras partidárias. Fato criticado e taxado
como inoportuno pelos arquitetos da coligação empurrada, pelos mandatários do
partido, goela abaixo dos filiados.
Findo o processo eleitoral, tomando-se pé da situação
drástica na qual se encontrava as finanças públicas do município, nasce daí uma
enxurrada de acusações e a tentativa de macular a administração precedente.
Mas, como verdadeiros alquimistas, surge também uma chuva
de emendas, um sem fim de projetos, a publicidade exagerada de ações a serem
desenvolvidas através do plano de aceleração do crescimento que findaram mortas
na falta de capacidade de investimentos da contra partida necessária, da
ingerência administrativa, da perseguição e que foram determinantes para que
esses projetos não se tornassem realidade.
É bem verdade que alguma obra foi inaugurada, mas não
fruto da capacidade de quem está administrando, e sim da luta, do empenho, das
idas e vindas em Brasília de governos anteriores.
Mas o mais grave é que o mesmo partido político, tido
naquele momento como o maior oposicionista e que não poderia ter candidatos
vencedores, pois teria governado mal o município e estaria sem o conglomerado
de apoio nos níveis estadual e federal é hoje o dono da banca, é o ”cabeção” das
decisões, é quem dá as cartas, exige e impõe: se você não nomear o fulano e vou
exonerar o cicrano e o beltrano e nomearei o fulano por minha conta e risco.
Por isso afirmamos – essa é uma governabilidade
barganhada.
***Por Adelino Alexandre Lopes, literato e membro do
Diretório do PMDB de Coxim.