Em
uma década, dispararam no país os casos de câncer de boca e orofaringe
relacionados à infecção por HPV (papilomavírus humano), transmitidos por sexo
oral.
O
índice de tumores provocados pelo vírus é três vezes superior ao registrado no
fim da década de 1990. Não há um aumento do número total de casos, mas sim uma
mudança no perfil da doença.
Antes,
cânceres de boca e da orofaringe (região atrás da língua, o palato e as
amígdalas) afetavam homens acima de 50 anos, tabagistas e/ou alcoólatras.
Hoje,
atingem os mais jovens (entre 30 e 45 anos), que não fumam e nem bebem em
excesso, mas praticam sexo oral desprotegido.
Uma
recente análise publicada no periódico "International Journal of
Epidemiology" mostra que, quanto maior o número de parceiras com as quais
pratica sexo oral e quanto mais precoce for o início da vida sexual, mais risco
o homem terá de desenvolver câncer causado pelo HPV.
Vacina
A
vacina contra o HPV não é aprovada para homens no Brasil. Nos EUA, onde foi
liberada, a imunização masculina não protege contra o HPV 16, o tipo que mais
causa câncer de boca e de orofaringe.
No
Brasil, só mulheres entre 9 e 26 anos têm indicação para a vacina contra quatro
tipos de HPV, entre eles o 16. Mas a imunização só existe na rede privada, ao
custo médio de R$ 900.