A
autorização para o início das obras de construção da Usina de Belo Monte, no
Pará, e o tratamento dado pelo Brasil à medida cautelar da Organização dos
Estados Americanos (OEA) foram discutidos ontem (3) no Conselho de Direitos
Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que é o órgão máximo de
direitos humanos da instituição.
Durante
a sessão de ontem do conselho, em Genebra, na Suíça, o caso foi apresentado pela
organização Conectas, uma das entidades credenciadas para prestar informações à
ONU.
"Expressamos
nossa preocupação com a atitude do governo brasileiro para as medidas
cautelares concedidas pela Comissão de Direitos Humanos em benefício das
comunidades afetadas pela obra. A construção da Usina de Belo Monte ameaça a
vida e, inevitavelmente, impacta a integridade de 24 povos indígenas,
comunidades tradicionais e agricultores que ali vivem", afirmou Mariana
Duarte, representante da Conectas durante a reunião na Suíça.
Criado
em 2006 pela Resolução 60/251 da Assembleia Geral, o Conselho de Direitos
Humanos realiza três sessões regulares por ano.
Na
sessão de hoje, a representante da Conectas lembrou que a questão da Usina de
Belo Monte já foi incluída em um relatório sobre direitos dos povos indígenas,
publicado em 2010. Esse relatório evidencia a preocupação com as deficiências
no processo de consulta com os povos indígenas afetados.
"Na
mesma linha, em 1º de abril de 2011,
a CIDH [Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
órgão da OEA] pediu às autoridades brasileiras para suspender imediatamente o
processo de licenciamento da obra e fazer uma consulta prévia livre, informada
e culturalmente adequada às comunidades afetadas. [Fazer a consulta] é garantir
amplo acesso a estudos de impacto social e ambiental do projeto, além de
medidas evitar a propagação de doenças e epidemias entre comunidades
indígenas."
De acordo com a Conectas, a reação do governo brasileiro, que considerou
precipitadas as medidas da OEA, também foi relatada pela organização. "Em
5 de abril, em nota à imprensa, o governo brasileiro considerou as medidas
"precipitadas e injustificadas."
Posteriormente,
a imprensa nacional informou que, em retaliação, o Brasil retirou a indicação
do ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi para um cargo na CIDH,
lembrou Mariana Duarte.
Ao
final do relato, não houve manifestação da representante do Brasil no Conselho
de Direitos Humanos das Nações Unidas, Maria Nazareth Farani Azevedo.