Em 2008, em uma simples brincadeira, Jhonny Lucas Figueiredo, de 15 anos, descobriu que tinha leucemia. Por precaução, os pais o levaram para o hospital e os primeiros exames mostraram alteração no sangue, dando o diagnóstico de leucemia e oito nódulos na região do pescoço.
Na mesma semana, Lucas começou a fazer quimioterapia.
“Foi tudo muito rápido. Meses atrás tínhamos feito exames com o Lucas e não tinha constatado nada, nenhum sintoma; foi uma casualidade”, conta Glauce Figueiredo, mãe de Lucas, sobre a descoberta do câncer.
“Depois que caiu a ficha de tudo que iria acontecer comigo. Mas decidi enfrentar. Com a ajuda da minha mãe eu enfrento qualquer coisa”, desabafa Lucas.
Com o diagnóstico em mãos, ele iniciou uma série de exames e tratamentos. No final do ano passado Lucas terminou o primeiro tratamento de quimioterapia. A partir daí, ele só fez exames de rotina. Mas a história não terminava por aí. Depois de um tempo a doença se agravou, e a partir de então Lucas foi inscrito no banco de dados de medula óssea.
Para piorar a situação, Lucas teve uma hemorragia pulmonar, ficando quase 40 dias no Centro de Tratamento intensivo (CTI). “Ele chegou praticamente morto no hospital, os médicos não davam esperança, pois a hemorragia pulmonar é fatal. Não se escapa, não é regra sobreviver, o Lucas é uma exceção”, se emociona Glauce.
Lucas começou a dar sinais de melhoras e na véspera do seu aniversário, teve que fazer uma traqueostomia (perfuração na traquéia para permitir a passagem de ar). Desde dezembro de 2010, ele parou de enxergar devido uma hemorragia nos dois glóbulos oculares e por conta disso teve cataratas. Situação, que segundo informações médicas, é reversível e Lucas vai voltar a enxergar.
Glauce sempre quis ter mais filhos e há pouco tempo engravidou de uma menina, aumentando as esperanças de um doador para o filho. Porém, por meio do cordão umbilical se constatou que a irmãzinha de Lucas não é compatível com o irmão.
Depois de muito tempo acompanhando seu filho no hospital, Glauce comenta que já viu de tudo. “Eu já vi caso de adolescente com leucemia que queria se jogar da janela porque não aguentava mais. Eu sempre falo para o Lucas nunca desistir. É muito difícil, é uma sensação horrível, infelizmente os casos tem aumentado, não só de leucemia, como de tumores que também precisam de transplante de medula”.
Valor de um copo de água
O carinho dos enfermeiros e médicos deixam claro que atenção e a dedicação dos profissionais fazem toda diferença no caso do adolescente. O contato de todo dia, todos os momento que passa junto com a equipe, segundo ele é como se fosse uma grande família.
“A primeira coisa que vou fazer depois que eu voltar enxergar, é voltar ao hospital em que fiquei internado e ver quem cuidou de mim”, conta Lucas sobre seus planos depois de fazer a cirurgia nos olhos. “Hoje em dia você não tem noção no valor que eu dou em poder beber um copo de água”, diz Lucas.
Os momentos difíceis foram muitos: “Eu vivi as situações mais extremas da minha vida. Não queria ver mais meu filho sofrendo”, menciona Glauce.
Campanha
Em novembro de 2010, a família de Lucas organizou uma campanha para cadastrar doadores de medula óssea, a campanha foi um sucesso. Foram cadastradas 275 pessoas só na parte da manhã. Como o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Mato Grosso do Sul (Hemosul) esperava cerca de 50 pessoas, tiveram que ser providenciado de última hora mais materiais, fichas, e mais dois enfermeiros.
Esperança
Recentemente Lucas recebeu a notícia de um possível doador. “Até o momento todos os exames do futuro doador têm tido 100% de compatibilidade com o do Lucas. O doutor vai nos encaminhar para o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), em São Paulo, para fazer o transplante de medula. Estamos só esperando o “ok” do médico para podermos ir para lá”, conta Glauce empolgada com os resultados.
Crítica
Glauce reclama que no Estado falta um hospital especializado para fazer o transplante de medula óssea, e defende a necessidade de se fazer um maior conscientização da população. Ser um doador de medula óssea não custa nada, não dói. “Dói mesmo é você ficar esperando alguém tomar a iniciativa de ir lá doar, com uma doação você poderia salvar uma família inteira, o que dói é ser furado todo dia...”, desabafa Glauce.
Medula Óssea
Segundo informações da assessora de comunicação do Hemorrede, Mayra Franceschi, o principal requisito para ser um doador de medula óssea é ter entre 18 e 60 anos, as pessoas interessadas em ser um doador, só precisam doar uma pequena quantidade de sangue no local especializado.
Em Mato Grosso do Sul são cerca de 70 mil doadores de medula óssea cadastrados no banco nacional de doadores, sendo constantemente atualizados por meio de um mapeamento genético. Caso haja compatibilidade entre um doador em um paciente, ocorre uma certificação de compatibilidade e o doador tem a opção de aceitar ou não. É importante destacar que este processo não tem custo nenhum para o doador ou paciente.
Serviço
O Transplante de Medula Óssea é a única esperança de cura para muitas pessoas que estão com leucemia e outras doenças do sangue. As campanhas para cadastro voluntário de medula óssea acontecem constantemente.
Os órgãos que realizam o cadastro de doadores voluntários de medula óssea são: Central Estadual de Transplantes, Hemosul, Santa Casa de Campo Grande, Hospital Regional e Hospital Universitário (também em Campo Grande), além dos Hemocentros de Dourados e Ponta Porã.